Vale à pena largar o cigarro após o diagnóstico do câncer?

Estudos comprovam que tabagismo prejudica o tratamento.

Por que, mesmo depois de receber o diagnóstico do câncer, o paciente deve parar de fumar? Embora a resposta pareça óbvia, a relação entre tabagismo e câncer ainda gera muitas dúvidas entre fumantes e pacientes em tratamento. De acordo com o oncologista Mauro Zukin, estudos realizados recentemente comprovam que pacientes que continuam a fumar após o diagnóstico do câncer de pulmão, de mama, linfoma, câncer de útero e melanoma apresentam quadro de piora ao longo do tratamento.

Zukin abordou o tema durante o XVIII Congresso Brasileiro de Cancerologia (Concan 2009), maior evento científico da especialidade na América do Sul. O Concan 2009, promovido pela Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), reuniu milhares de especialistas brasileiros, europeus, americanos e asiáticos, no fim de outubro, em Curitiba. “Um terço dos pacientes continua a fumar mesmo após o diagnóstico do câncer e está comprovado que o tabagismo reduz a eficácia do tratamento”, observa o oncologista.

Mas embora a vontade de parar de fumar seja fundamental, não é suficiente para largar o vício. Estudos comprovam que 80% dos fumantes querem parar de fumar, mas apenas 3% conseguem largar o vício sem ajuda.

“A dependência à nicotina é muito complexa, pois além da dependência física da droga, existe também uma dependência psicológica e comportamental. Além disso, muitos fumantes ao pararem de fumar ganham peso. Por isso, oferecemos um serviço multidisciplinar de tratamento, com médico, psicóloga e nutricionista”, explica o pneumologista Ricardo Meirelles, especialista em tratamento e controle do tabagismo.

A pessoa disposta a parar de fumar deve entender tudo o que o cigarro causa e aprender a viver sem ele. Há 50 doenças relacionadas ao tabagismo, decorrentes das 4.700 substâncias presentes na fumaça, das quais 60 são cancerígenas. Por isso, a segunda etapa do tratamento é uma consulta com a psicóloga, que vai trabalhar a relação que o tabagista tem com o cigarro e seu comportamento como fumante. A OMS considera o tabagismo uma doença pediátrica – já que 90% das pessoas começam a fumar até os 19 anos de idade – crônica e contagiosa, por prejudicar as pessoas em volta.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas – SEGS Portal Nacional