Cresce o consumo de cocaína nos bancos

Alerta é de médicos envolvidos no tratamento de profissionais que abusam das drogas.
O uso de cocaína continua sendo algo comum entre os trabalhadores da City de Londres, apesar da alta do desemprego e da redução dos salários após o encolhimento do crédito. O alerta é de médicos envolvidos no tratamento de profissionais que abusam das drogas.
Neil Brenner, diretor-médico do hospital psiquiátrico de Priory, em Londres, disse ao “Financial Times” que o número de funcionários de bancos que estão recorrendo a ele em busca de tratamento aumentou significativamente nos últimos três anos. Isso está acontecendo mesmo quando se leva em conta a grande queda na renda desses profissionais registrada depois do estouro da crise financeira em 2008. “Esse é um problema real da City”, diz Brenner.
Dr. Brenner disse a membros do Parlamento britânico que fazem parte do comitê de assuntos domésticos, que os profissionais do setor de serviços financeiros têm uma probabilidade maior de ter problemas com a cocaína do que os de outros segmentos da sociedade. “Eles frequentemente trabalham sob grande pressão e sempre começam a usar a droga não como um sistema de recompensa, e sim como uma maneira de continuar seguindo em frente”, afirmou.
Números recentes do Ministério do Interior mostram que os britânicos são os maiores consumidores do cocaína da Europa. Segundo os dados, 1 milhão de pessoas usaram a droga no último ano. Cerca de 12.000 pessoas estão recebendo tratamento contra o uso da cocaína em pó.
O problema da cocaína, segundo Dr. Brenner afeta todos os escalões da indústria de serviços financeiros “do presidente ao officeboy”. Nick Barton, diretor-presidente da Action on Addiction, instituição sem fins lucrativos que administra centros de tratamento de viciados, concorda que não vem registrando “nenhum tipo de queda” no número de usuários de cocaína na City de Londres . “Esse problema persiste”, acrescenta ele.
A crise financeira pode ter aumentado as pressões sobre os funcionários dos bancos, o que os levou a usar a droga com a intenção de aumentar a produtividade, diz Barton. “Se as pessoas precisam trabalhar muito, a cocaína pode se tornar uma ferramenta que ajuda a realizar mais tarefas”. Mas especialistas em medicina também afirmam que o abuso de álcool continua sendo um problema muito maior entre as profissões do que qualquer outra substância.
Fonte: UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas – Valor Econômico