Confrontos entre traficantes e policiais em morros do Rio já deixaram 805 mortos neste ano

De janeiro a setembro deste ano, 805 pessoas foram mortas em situações de enfrentamento no Rio de Janeiro, segundo levantamento do Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP). Se a média de 100 mortes por mês continuar, até dezembro serão mais de 1.000 mortos em confrontos com a polícia.

O número final de 2009, no entanto, deve ser ainda maior, já que não foram divulgados os dados de outubro, mês dos intensos conflitos nos morros do Rio, e novembro, quando novos tiroteios tomaram as ruas das favelas cariocas. Em 2008, o ISP divulgou 1.137 mortes por enfrentamento. Em 2007, 1.330. E em 2006, 1.063.

Só entre 17 e 22 de outubro, a Polícia Militar calcula que 27 criminosos foram mortos em confrontos nos principais morros da cidade. Nesta quarta-feira (18) mais três pessoas morreram durante uma operação em Vila Isabel, na zona norte. Isso deve aumentar consideravelmente o total das chamadas mortes por resistência do opositor (auto de resistência).

A guerra do tráfico de drogas no Rio ficou ainda mais violenta depois que um helicóptero da PM foi abatido no dia 17 de outubro por criminosos do morro dos Macacos e três policiais morreram. Desde então, a polícia passou a ocupar e patrulhar diversos pontos da cidade com o objetivo de prender traficantes.

Ao mesmo tempo, as tentativas de invasão de morros vizinhos e as disputas entre grupos rivais por pontos de drogas andam provocando intensas trocas de tiro nas comunidades. Em entrevista ao UOL Notícias, o presidente da Associação de Moradores do Parque Vila Isabel, Mário Lima, disse que em outubro, no auge dos tiroteios no morro dos Macacos, cerca de 60% dos moradores chegaram a deixar a comunidade assustados com a onda de violência.

Agora é o morro da Formiga, vizinho à favela do Borel, na zona norte, que enfrenta tiroteios e invasões de criminosos vizinhos. Policiais do 6º Batalhão da PM da Tijuca ocupam desde a noite de ontem as principais ruas e acessos da favela e tentam localizar os responsáveis pelos tiros de ontem, no mesmo local. No final da manhã, a operação recebeu reforço do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

Segundo a Secretaria Muncipal de Educação do Rio de Janeiro, 634 alunos da região foram afetados, porque a Escola Municipal Brito Broca e a Creche Municipal Tia Maria ficaram fechadas depois do tiroteio. Já as creches municipais Tia Bela e Dr. Ronaldo Gazolla, que também ficam na região, chegaram a abrir, mas os alunos não compareceram.

Mais operações

Outra operação aconteceu na comunidade de Antares, em Santa Cruz, zona oeste do Rio. Segundo a PM, o traficante Flávio do Nascimento Cardoso, conhecido como “2P”, foi preso.

Ele é suspeito de chefiar o tráfico na Cidade de Deus. Com ele, a PM apreendeu uma metralhadora ponto 30 e uma metralhadora super 12 com mira laser. Cardoso foi encaminhado para a 36ª Delegacia de Polícia, também em Santa Cruz.

Uma terceira ocupação acontece no morro São João, no Engenho Novo, também zona norte do Rio. Um tenente da PM foi ferido de raspão na perna, mas passa bem. Três pessoas foram presas.

Em outubro, traficantes do morro São João teriam tentado invadir o morro dos Macacos e provocado a onda de violência nas comunidades.
Autor:Fabiana Uchinaka,do UOL Notícias,São Paulo
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas