Cigarro é responsável pela origem de oito tipos de tumor maligno, alertam especialistas

O tabagismo está ligado à origem de tumores malignos em oito órgãos: boca, laringe, pâncreas, rins e bexiga, além de pulmão, colo de útero e esôfago, alerta a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, em ocasião ao Dia Nacional de Combate ao Câncer. De acordo com os especialistas, o mais preocupante é que os cânceres nos três últimos órgãos citados ocupam o topo do ranking de mortalidade no Brasil.

“Todas as medidas de prevenção devem ser voltadas para coibir o tabagismo desde o início até a cessação. É importante alertar a população que, quanto mais tempo fumar, mais precocemente começar e maior carga tabágica consumida por dia, as chances de desenvolver o câncer aumentam progressivamente”, explica a pneumologista Ilka Lopes Santoro, presidente da Comissão de Câncer da Sociedade.

Para a médica, a nova lei antifumo, já em vigor em diversas partes do país, inclusive no Estado de São Paulo – acabando com os fumódromos e restringindo o fumo em locais fechados –, é fundamental no processo de conscientização dos cidadãos. Grande parte de novos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças de hábitos e comportamentos de risco, como eliminação do tabagismo. “As campanhas de educação devem começar nas escolas. Além disso, é fundamental estimular que os médicos – tanto pneumologistas quanto clínicos gerais – dediquem ao menos cinco minutos de suas consultas para explorar o assunto com o paciente e alertá-lo dos males que o tabagismo acarreta na saúde como um todo”, completa.

Câncer de pulmão

O principal tipo de câncer associado ao tabagismo é o de pulmão – o fumo é responsável por 90% dos casos desse tipo de neoplasia. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é esperado, para o ano de 2010, 27.630 novos casos desse tipo de câncer.

Um dos sintomas mais frequentes do câncer de pulmão, a tosse, muitas vezes, é considerada pelo paciente, e até mesmo pelo médico, como a tosse habitual do fumante. O sangramento eliminado junto com a expectoração é um sinal mais efetivo, mas, nesse caso, pode ser que o câncer já esteja em um estágio avançado, o que impossibilita tratamento mais efetivo – a cirurgia –, fazendo com que seja indicada apenas terapia paliativa.

Atualmente, segundo os especialistas, há um grande avanço tecnológico nos aparelhos de imagem – a tomografia computadorizada, por exemplo, tem boa resolução, o que facilita o diagnóstico e o acompanhamento clínico dos pacientes durante o tratamento. E, em caso de diagnóstico positivo para esses tumores, há a opção do tratamento por quimioterapia – neoadjuvante, adjuvante ou exclusiva –, que confere vantagens à sobrevida e qualidade de vida do paciente.

“Para alguns casos específicos de câncer de pulmão, já é uma realidade o tratamento individualizado, ou seja, drogas que agem melhor em determinadas sub-populações de pacientes, e que respondem mais ao tratamento específico devido às mutações individuais do tumor”, explica Ilka Santoro. Mas a especialista lembra que a prevenção é o melhor nesses casos, com uma alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas e evitando o álcool em excesso e o cigarro.
Autor: Editoria Saúde
OBID Fonte: Site UOL