Na era do politicamente correto, celebridades tentam esconder o vício

No palco, Erasmo Carlos ainda diz que segue “incendiando bem contente e feliz, nunca respeitando o aviso que diz que “é proibido fumar”.” Fora dele, é o próprio cantor quem instaura a proibição: não permite que o fotografem fumando.

“Hoje em dia, ele tem netos, não fica bem”, justifica Priscila Stille, sua assessora de imprensa, sobre o pedido que o cantor faz a fotógrafos, em eventos como o recente lançamento de um livro.

No combinado, ele topa posar para fotos, desde que o vício não seja flagrado.

A estratégia de apagar o cigarro da imagem do artista ganha força conforme novas restrições alimentam a demonização do fumo. É tendência internacional.

Nos Estados Unidos, a atriz Kirsten Stewart, protagonista dos filmes da série “Crepúsculo”, cultuados por adolescentes, dá trabalho aos produtores por sempre ser flagrada na intimidade com cigarros (e cachimbos suspeitos). Já foi orientada a ser mais discreta. Para os paparazzi, a foto em que ela fuma, hoje mais rara, está valendo mais.

No Brasil, a atriz Juliana Paes, que foi protagonista da novela “Caminho das Índias”, também tenta tirar o cigarro de quadro. Pede a fotógrafos para não aparecer fumando, mas uma ou outra imagem acaba escapando. “Ela sabe que não é legal. Artistas não precisam querer ser exemplo para as pessoas, eles são”, diz Ike Cruz, empresário dela, divulgando que “a Juliana vai parar de fumar”.

Há quem saia do sério com a exposição do vício. O jogador Ronaldo, hoje no Corinthians, costuma responder irritado que não fuma, apesar de fotos que o mostram com cigarro na mão. “O Ronaldo não fuma”, insiste seu empresário, Fabiano Farah.

A agente Monica Monteiro, que por muitos anos cuidou da carreira da modelo Gisele Bündchen [ex-fumante há dois anos], orienta suas agenciadas a não fumar em público. Mas afirma que também não dá para disfarçar o óbvio.

“Não adianta muito combinar com os fotógrafos que não fotografem a modelo. Alguém sempre fotografa. Quando a Gisele queria fumar, a gente tirava a imprensa do camarim. Mas uma ou outro foto na rua, feita por paparazzi, acaba vazando.”
Autor:Daniel Bergamasco-Folha de São Paulo
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas