Nenhuma Comunidade Terapeutica tem licença da Vigilância

Só duas casas existem oficialmente, mas até elas estão com processos pendentes.
Denúncias levaram fiscais a duas clínicas neste ano, uma no Recreio Internacional e outra no Tanquinho; há excesso de leitos nos quartos.

Nenhuma comunidade terapêutica para dependentes de álcool e drogas em Ribeirão Preto possui licença para funcionar expedida pela Vigilância Sanitária do município.
De acordo com a Vigilância Sanitária, somente duas casas existem oficialmente para o município, mas até elas estão com processos pendentes, por problemas de infraestrutura e de documentação. São elas o Rarev e o Vale do Beraca.

Mas a prefeitura acredita que há mais entidades ilegais, segundo Vânia Cantarella, chefe da Vigilância. “Deve existir mais, talvez por falta de opções para a família de um local para acolher essas pessoas ou de outra entidade mais organizada”.

Duas dessas casas irregulares foram visitadas neste ano, após o órgão receber denúncia. A primeira delas, em junho, foi a comunidade Novo Dia, no Recreio Internacional.

O local não tinha licença, CNPJ e não possuía um responsável de nível superior. Havia excesso de pacientes nos quartos -alguns com oito leitos, quando o limite é de seis.

A reportagem esteve ontem no lugar e o encontrou fechado. Por um buraco no portão, era possível ver que ninguém circulava dentro da chácara.

Um vizinho informou que a casa foi desativada na última terça-feira. A comunidade, instalada em março, era alvo de uma ação judicial dos moradores do Recreio Internacional para que fosse interditada.

Outra denúncia levou fiscais a visitar na última terça a comunidade LSD (Liberdade Sem Drogas), no bairro Tanquinho. Fiscais encontraram, em um dos cômodos, fiação exposta, rachaduras na parede, falta de um responsável técnico e excesso de leitos.

No local, a Folha constatou a situação apontada pela Vigilância Sanitária. A entidade existe há oito anos e abriga atualmente 28 internos.

O monitor Wilson dos Santos informou que a enfermeira responsável deixou a unidade há 15 dias e que será substituída. Ele disse que as rachaduras e a fiação serão reparadas e que o quarto, apesar de ter várias camas, abriga no máximo quatro ou cinco pessoas.

O assistente social do Rarev, Rogério Rosa, disse que a prioridade é regularizar a documentação na prefeitura. A Folha não conseguiu localizar a direção do Vale do Beraca.
Autor:Juliana Coissi – Da Folha Ribeirão
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas