Demanda por leitos aumenta no Paraná

Quantidade de atendimentos a dependentes de crack subiu 10 vezes.

O número de atendimentos a usuários de crack no Centro Psiquiátrico Metropolitano em Curitiba subiu 10 vezes em quatro anos. Passou de 200 em 2005 para cerca de 2 mil em 2009. Também existem clínicas particulares de desintoxicação no centro de Curitiba e nas redondezas. São necessários 45 dias de internação, com diárias de até R$ 400. A Clínica Nova Esperança, do casal Araceles e Celso Maçaneiro, é uma delas. Segundo Araceles, que trabalha com dependentes desde 1989, o crack trouxe um novo perfil de paciente. A clínica teve de ser cercada para evitar fugas. Conter os pacientes no período da abstinência também ficou mais difícil.

O espaço comporta 29 internos. Há lista de espera. “Recebemos pacientes de todo o Brasil e também do Paraguai e da Argentina”, conta Celso. Histórias de recaídas são comuns. É com a “oração da serenidade” que os dias são iniciados na clínica. “Já cansei do meu velho jeito de ser, serei mais firme do que sempre fui, mais forte do que um dia sonhei”, são as palavras pregadas nos murais. Empresas como Petrobras e Banco do Brasil têm convênios com a clínica e encaminham funcionários para lá.

***

16

É o numero de Unidades da Federação no Brasil que ainda não têm Caps do tipo III, único que atende 24 horas. O restante fecha às 18h.

2.568

É a quantidade de leitos reservados em hospitais gerais no país para pacientes psiquiátricos, entre eles os usuários de drogas e álcool.

O número é irrisório diante da demanda.

67,7%

Proporção de entidades não governamentais entre as 1.256 instituições que oferecem tratamento para dependentes químicos no país.

R$ 117 milhões

Dinheiro que o governo federal anunciou para ser usado na prevenção e no combate ao uso de drogas no país até 2010. O aumento do número de Caps, do valor das diárias para dependentes químicos e até uma pesquisa sobre os usuários de crack serão custeados com o recurso.
Fonte:Correio Braziliense/UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas