Pessoas mais velhas consomem mais álcool que os jovens

Adultos mais velhos são maioria nos casos de abuso no consumo alcoólico, comparados aos jovens com problemas similares. Os resultados de um estudo americano sugere que as pessoas mais velhas podem desenvolver uma tolerância à quantidade de álcool ingerida e por isso consomem quantidades muito maiores de bebida.

Os pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, EUA, acompanharam dois grupos de pessoas com problemas com álcool. No grupo de pessoas com mais de 60 anos foi observado o consumo médio de 40 doses alcoólicas por semana, contra uma média entre 25 e 35 doses em grupos de menor idade.

Além disso, pessoas mais velhas com problemas de dependência tinham mais episódios de comportamento compulsivo descontrolado (binge) por mês do que os mais jovens. O comportamento de binge foi definido, no estudo, como mais de 5 doses de álcool diárias para homens e mais que 4 doses para mulheres.

“A combinação de altos níveis do consumo de álcool com os efeitos fisiológicos da idade são particularmente problemáticos para os adultos mais velhos”, diz Linda Ginzer, co-autora do estudo.

Ginzer e Virgina Richardson utilizaram os dados coletados de 43 mil pessoas que haviam participado de um estudo epidemiológico do Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo.

Tendência geral é inversa

No geral, as pessoas tendem a diminuir o consumo de álcool com a idade, mas um grupo específico de adultos mostrou a tendência contrária. Esse grupo foi dividido em duas categorias.

A primeira categoria é a dos indivíduos que abusam do consumo, que têm problemas de socialização e que incluem atividades perigosas como dirigir embriagados. Uma segunda categoria é a dos dependentes de álcool, que usam a substância mesmo após o comprometimento da saúde física ou psicológica.

Enquanto os adultos acima dos 60 anos são menos propensos, no geral, a estarem nessas duas categorias, aqueles que se enquadram nas descrições bebem em quantidades muito superiores do que os mais jovens nessas mesmas categorias. Além disso, os casos de binge eram mais constantes (19 casos de abuso por mês no caso dos adultos acima dos 60 anos, contra 14 de pessoas mais jovens).

“Quando pensamos em bebedeiras normalmente associamos à pessoas mais jovens, em torno dos 20 anos”, diz Richardson. “Mas o fato é que isso atinge pessoas mais velhas também e na maioria dos casos esse comportamento é pior entre esse público. É um dado que precisa ser observado pelos profissionais de saúde.”
Fonte:UOL/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)