Campanha da lei seca:

O ministro da Cidades, Márcio Fortes, titular da pasta que comanda o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), afirmou que é preciso incentivar campanhas que coíbam a divulgação dos endereços das blitze da lei seca, prática que ganhou força com as redes sociais de internet. Segundo ele, são atitudes como essas que comprometem a eficácia da legislação e ainda colocam em risco a vida dos motoristas alcoolizados que driblam a fiscalização. Fortes sugere até o slogan para a nova bandeira: “Algo no estilo ´quem avisa amigo não é´”, palpitou.

Desde que a legislação que estabeleceu penas mais rígidas para quem mistura álcool e direção entrou em vigor, em junho do ano passado, diversas comunidades do site Orkut já fizeram o papel de “dedo-duro” das operações de fiscalização em todo o País. Recentemente, no Rio, um perfil no Twitter foi criado para a mesma função e virou febre. Os 22.637 seguidores – incluindo artistas – recebem informações em tempo real sobre os locais em que os policiais. “Precisamos estimular as pessoas a não avisarem. Quem avisa, não pode ser ´amigo´ quando o que está em jogo é a segurança da pessoa”, explicou o ministro.

TÁXI

Enquanto Fortes abraça uma nova causa em benefício da lei seca, a Prefeitura de São Paulo também quer um novo aliado para aumentar a adesão ao trânsito sóbrio. A partir de amanhã, táxis cadastrados que circulam pelos bairros da Vila Madalena, Augusta e Jardins vão oferecer descontos de 30% nas corridas feitas nas noites e madrugadas de sextas-feiras, sábados e domingos (das 20 horas às 6 horas). O objetivo é diminuir o índice de alcoolizados ao volante – tanto que os endereços que ganharão o Táxi Amigão coincidem com as áreas que mais exigem esforços da PM para fiscalizar a lei seca.

Se a medida surtir o efeito prometido, pode até implicar – a longo prazo – em um remanejamento dos PMs e seus bafômetros. Hoje, as blitze policiais na capital são focadas nesses locais, porque as pesquisas mostram que o hábito de beber e dirigir é mais recorrente em ambientes com grande concentração de bares. Se a oferta de táxis baratos conseguir mudar o perfil dos motoristas, a PM não descarta destinar a estrutura de fiscalização para regiões que “passarão a ser prioritárias”.

Levantamento da Unifesp, por exemplo, mostrou que enquanto em motoristas abordados na Vila Madalena o índice de positividade para álcool e direção é de 25%, no restante da cidade a média é de 18%. Outros locais problemáticos são Augusta e Jardins, bastante frequentados pelo público jovem (entre 18 e 25 anos), maioria nas estatísticas de acidentes fatais.
Fonte:O Estado de S Paulo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)