Psicólogos e médicos debatem o uso medicinal da maconha

Segundo a psiquiatra, na primeira fase de dependência, droga provoca danos na memória e concentração.

A três dias da Marcha da Maconha, que será realizada no dia 5 de dezembro, com saída no Farol da Barra, médicos e psicólogos alertam para os malefícios da utilização do entorpecente e abrem a discussão sobre o uso medicinal da Cannabis sativa (nome científico da planta). A psiquiatra Ana Cecília Marques, coordenadora do Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica o motivo da preocupação.

De acordo com ela, quando se fuma maconha, o cérebro sofre pressões químicas que podem provocar sequelas irreversíveis.

“Ela age de várias formas no sistema central, provoca a liberação de uma substância chamada dopamina, que dá uma sensação de desinibição inicial”, explicou.

Mas, se usada com frequência, causa dependência química e pode se tornar até porta para outros entorpecentes mais pesados. “A maconha se liga nas células de gordura, é de difícil liberação pelo organismo e seu efeito é cumulativo”, avisou.

Segundo a psiquiatra, na primeira fase de dependência, provoca danos na memória e concentração. Mas esses não são os únicos malefícios.

“Depois, os usuários têm mais risco de transtornos de comportamento, podendo desenvolver doenças psiquiátricas, como depressão, esquizofrenia, ataques de pânico, paranoia e sintomas psicóticos”, afirmou.

Uso medicinal

No entanto, a discussão a respeito do uso médico de substâncias químicas encontradas na maconha vem também ganhando espaço no cenário acadêmico. De acordo com a psicóloga Patrícia Mello de Souza, a Cannabis sativa vem sendo estudada como medicamento para a redução das náuseas e vômitosproduzidos por medicamentos anticâncer e antiaids.

Mas ela alerta que os remédios alopáticos ainda têm apresentado resultados mais satisfatórios do que o uso da erva. Também existem estudos que avaliam o uso da substância no tratamento da esclerose múltipla e aumento de apetite. “Neste caso, também os medicamentos tradicionais parecem ter mais resultados”, esclareceu.

Mas a prescrição da maconha para uso medicinal ainda não passa de uma discussão polêmica, principalmente devido ao caráter de ilícito legal do uso do entorpecente.

Enquanto os benefícios da droga não são certificados, a maconha continua sendo a droga mais consumida no planeta. Cerca de 162 milhões de pessoas no mundo utilizam a droga pelo menos uma vez ao longo do ano. No Brasil, o uso chega a 5% dos indivíduos – 9,3 milhões de pessoas.
Fonte:A Tarde/UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas