Tráfico no Pavão-Pavãozinho movimenta R$ 3 milhões, diz polícia

Um policial civil, que não quis se identificar por questões de segurança, afirmou à Folha Online que o tráfico do morro Pavão-Pavãozinho (na zona sul do Rio) lucra, em média, R$ 3 milhões por mês, sendo R$ 1,4 milhão somente com a venda de crack. Segundo ele, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) não impedem a ação de traficantes nas favelas. Desde segunda-feira (30), a Polícia Militar ocupa os morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo para a implantação da UPP.

“O morro do Pavão-Pavãozinho possui a maior cracolândia da zona sul do Rio. São vendidos em média 40 quilos da droga por mês, o que gera um faturamento de cerca de R$ 1,4 milhão ao CV [Comando Vermelho]. Entretanto, com a atuação da PM, parte do tráfico deve migrar para a Ladeira dos Tabajaras [Copacabana]. Mesmo com as UPPs, eles continuam a traficar, mas sem fuzis”, afirmou o policial.

PM do Rio realiza operação no morro do Pavão-Pavãozinho para implantar uma UPP

O policial disse acreditar também que o processo de migração do tráfico do Pavão-Pavãozinho para a Ladeira dos Tabajaras deve acontecer rápido. Segundo ele, o número de viciados que passaram a frequentar o morro Pavão-Pavãozinho dobrou após a implantação das UPPs em algumas comunidades da zona sul.

“O mesmo vai acontecer com a Ladeira dos Tabajaras e depois que a polícia ocupar a favela, o tráfico dos morros Santo Amaro, no Catete, e Azul, no Flamengo, que vão faturar”, afirmou.

O agente ainda disse que apenas os traficantes que possuem mandados de prisão abandonam as comunidades ocupadas pela Polícia Militar. Segundo ele, é ordem das lideranças do CV manter os gerentes do tráfico, que fogem da polícia, em casas alugadas nos complexos do Alemão ou da Penha, na Vila Cruzeiro e Chatuba.

“Há uma queda de faturamento inicialmente, mas posteriormente vai passar a ganhar mais. Isso porque vão enxugar a estrutura, diminuir a quantidade de pessoas vendendo drogas, não vão precisar de olheiros, nem de armas. O tráfico é remodelado e fatura sem armamento, sem homicídio e por conta da segurança do Estado”, afirmou.

O agente afirmou que os traficantes que não têm mandado de prisão permanecem nas bocas de fumo, que com a presença da PM, passam a ser chamadas pela polícia de “bocas sem dente” porque os traficantes circulam desarmados. O usuário passa a contar com as chamadas “esticas”, ou seja, criminosos que levam as drogas até os usuários.

De acordo com a Polícia Civil, a favela de Manguinhos, na zona norte do Rio, possui o maior ponto de venda de crack do Estado. Os traficantes da comunidade faturam até R$ 4 milhões com a droga.

Lavagem de dinheiro

De acordo com o policial, que preferiu o anonimato, Paulo Cesar Figueiredo, conhecido como Bolão, que está preso em no presídio de Bangu 1, ainda fatura de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por mês com a exploração da venda de material de construção, gás, roubo de sinais de TV por empresas clandestinas, o chamado “gato NET”, supermercados e transportes alternativos.

“Já que o Bolão está preso, Leandro de Oliveira Resende, o Azul, está a frente do tráfico no Pavão-Pavãozinho. Mas, os lucros dos comércios e transportes alternativos, além do gato Net, vão direto para a conta do Bolão e não passa pelo tráfico. Nesses lugares [comércios] eles lavam o dinheiro do tráfico. Isso é regra”, afirmou.

Outro lado

O comandante do 19º Batalhão da PM (Copacabana), tenente-coronel Rogério Seabra, afirmou que tem um plano estratégico para evitar a migração do tráfico do Pavão-Pavãozinho para a Ladeira dos Tabajaras. O coronel disse acreditar que operações constantes na favela possam impedir a ação dos criminosos.

“Essa migração é um raciocínio natural. Desde segunda-feira [20] realizamos duas prisões e duas apreensões que chegaram a quase 400 papelotes de cocaína, mais de 100 pedras de crack e uma granada na Ladeira dos Tabajaras. Estamos atentos a isso e continuaremos atuando nessa comunidade também”, disse o coronel.
Autor: Diana Brito-colaboração para a Folha Online, no Rio
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas