Risco de doença Malefícios do cigarro são ainda maiores entre o sexo feminino

Os malefícios do cigarro são ainda maiores para as mulheres. Além dos problemas diretos que aparecem por causa do tabagismo como enfisema pulmonar, a bronquite crônica e o câncer, o envelhecimento precoce da pele, a embolia pulmonar e as mudanças na voz também aparecem na lista de efeitos do cigarro no organismo feminino.

Segundo o pneumologista Elie Fiss, o número de mulheres com problemas de embolia pulmonar por causa do cigarro aumentou em todas as faixas etárias. “Inclusive em pacientes jovens. O cigarro associado à pílula anticoncepcional aumenta ainda mais a possibilidade de embolia. E a doença com um quadro agudo oferece risco de morte: 10% das pessoas com o problema morrem antes de chegar ao hospital”, disse.

Além da embolia pulmonar, outros problemas também estão associados ao tabagismo. “As mulheres têm sofrido mais com enfisema, câncer de boca, garganta, pulmão e até o câncer de mama já está sendo associado ao tabagismo. Isso porque o número de mulheres fumantes está se igualando ao dos homens”, disse o médico sanitarista Clésio Souza Soares.

A secretária Iara Aparecida Vieira de Castro Alves, 54 anos, começou a fumar com 19 anos.“Hoje fumo cerca de dez cigarros por dia. Só parei de fumar quando engravidei. Isso aconteceu duas vezes. Mas assim que tinha neném voltava a fumar imediatamente.” Na gravidez, o cigarro passa a trazer efeitos nocivos não apenas para a mãe fumante, mas também para o bebê. “O tabagismo durante a gravidez diminui a irrigação sanguínea do nenê. Com isso, ele nasce com baixo peso, pode desenvolver um risco maior de ter câncer, problemas respiratórios, nascer com defeitos congênitos, o estrabismo também está relacionado com o fumo na gravidez”, afirmou Soares.

Apesar de tantos efeitos nocivos, muitas pessoas não conseguem deixar o vício. “Sei das consequências do tabagismo, mas não consigo parar de fumar”, contou Iara. Para Fiss, o caminho mais eficaz para inibir o hábito de fumar é intensificar as campanhas oficiais e não oficiais.

Tratamento é gratuito em UBDS

A Secretaria Municipal da Saúde oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar. Mas apesar do acompanhamento médico e da terapia em grupo realizados no Programa de Tratamento do Tabagismo, os medicamentos necessários para ajudar os pacientes a abandonar o vício ainda não são disponibilizados na rede pública.

“O sucesso do tratamento depende primeiramente da atitude do fumante em querer para de fumar. Mas também é necessário mudar o comportamento dele, para isso as reuniões em grupo. E os medicamentos são essenciais para tratar a dependência”, disse o médico sanitarista Clésio Souza Soares.

Segundo ele, os medicamentos para o tratamento são caros e nunca foram oferecidos pela rede pública. “Mas há previsão para que a distribuição gratuita comece ainda esse ano”, disse.

A aposentada Alice Gonçalves dos Santos, 59 anos, procurou o programa, mas vai esperar que os medicamentos sejam disponibilizados. (LA)
Autor:Laura Aielo – Gazeta de Ribeirão
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas