SP: 44% dos homens assassinados “beberam” antes de morrer

A associação entre consumo de álcool e violência não é nova. Todo mundo já ouviu uma história de alguém que, depois de beber, torna-se agressivo. Mas um estudo realizado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) vai além. Ele mostra que 44,1% dos 1.899 homens que morreram no período tinham álcool no sangue. Entre as 143 mulheres, o número cai para 26,6%.Para se chegar a essa conclusão, foram analisados 2.042 homicídios ocorridos em 2005 na capital paulista. Os dados foram obtidos por meio da revisão de laudos necroscópicos e verificação de testes de alcoolemia, que mede a quantidade de álcool no sangue, além dos boletins de ocorrência.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), há 2 bilhões de consumidores de álcool no mundo. Estima-se que, internacionalmente, entre 20 e 30% dos homicídios e acidentes com veículos sejam provocados por pessoas alcoolizadas.

De acordo com Gabriel Andreuccetti, autor da dissertação Uso de álcool por vítimas de homicídio no município de São Paulo, a ideia de se verificar o consumo de álcool entre as vítimas se deve à confiabilidade das informações disponíveis. Ele lembra que no caso das vítimas há uma investigação bastante detalhada, feita pelo Instituto Médico Legal e pela polícia.

“A ideia de se abordar as vítimas e não os agressores é por uma questão de precisão. Por mais que o motivo da morte seja esclarecido, através da investigação policial, muitas vezes você não atinge o agressor. Mais difícil ainda, devido à legislação brasileira, é você fazer a medida de álcool nesses agressores, em casos de violência. Nós sabemos que estamos caminhando para uma legislação diferenciada em casos de acidentes de trânsito, mas no caso de violência nós não temos ainda uma atitude compulsória para a medição de álcool.”

Segundo ele, “estudos internacionais mostram que os números entre vítimas e agressores são muito semelhantes quando se considera o uso de álcool”.

O estudo mostra que entre as vítimas que morreram após a ingestão de álcool, 91% tinham a presença de mais de 0,6 grama por litro de álcool, equivalente a duas latas de cerveja. O maior índice (54,2%) estava na faixa entre 35 e 44 anos. Entre os menores de 19 anos, o índice alcançou 16,9%.

Os números mostram também que entre os que foram mortos por arma branca o índice atinge 60,6%. No caso dos mortos a tiros esse índice é de 40,1%. A maioria dos casos aconteceu na madrugada de sábado, até as 6h de domingo.

Dados da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (de 2007) mostram que 9% dos brasileiros bebem pesadamente (uma vez ou mais por semana e consomem cinco ou mais doses por ocasião uma vez por semana ou mais).
Autor:Vagner Magalhães-Redação Terra
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas