Álcool, hipertensão e fumo agravam perda auditiva

Aqueles cuidados que fazem tão bem ao coração – alimentação saudável e prática de atividade física – também beneficiam a audição. Isso porque esses hábitos previnem doenças como diabetes e hipertensão arterial, fatores de risco, assim com o fumo e o uso de álcool, para a perda auditiva. Uma pesquisa feita em Londrina, na Universidade Norte do Paraná (Unopar), mostra que, nos idosos, a associação com esses fatores pode acelerar ou agravar a perda. O estudo é das formandas em fonoaudiologia Carolina Meneses e Mariana Peretti Mário, sob orientação da professora e fonoaudióloga Luciana Marchiori.

A idade, segundo a fonoaudióloga, já é um componente de risco para a perda progressiva da audição – dados da Associação Americana de Audiologia mostram que 14% dos indivíduos de 45 a 64 anos de idade tem algum grau de perda auditiva, número que aumenta para 54% das pessoas com idade acima dos 65 anos. O objetivo do estudo foi, então, estimar a prevalência de perda auditiva, identificando os fatores associados em idosos de Londrina.

Para o trabalho de conclusão de curso foram avaliados 61 idosos, com idade entre 60 e 95 anos, que fazem parte do Estudo sobre Envelhecimento em Londrina (EELO), uma pesquisa multiprofissional e interdisciplinar feita por estudantes e professores da Unopar em parceria com as secretarias municipais do Idoso e da Saúde. O objetivo do EELO é fazer um raio X das condições de saúde da população idosa da cidade, colaborando para implementar ações de prevenção de doenças. Na pesquisa, os idosos passaram por testes como o de audiometria, avaliação considerada padrão ouro pra avaliar diminuição da acuidade auditiva.

Os números apurados mostram um resultado significativo. E preocupante. Primeiro porque grande parte dos idosos pesquisados era hipertenso, fumante ou ex-fumante e usava álcool de alguma maneira (veja quadro). Depois, porque os fatores de risco associados com o envelhecimento realmente elevaram os casos de perda.

Entre aqueles com hipertensão, 88,8% apresentaram algum tipo de perda auditiva. Nos com diabetes, as perdas apareceram em 90% da amostra. Nos alcoolistas, em 92,3% e nos fumantes 87% apresentou algum grau de perda de audição. Em média, em 87,7% dos idosos avaliados foi detectado alguma alteração auditiva, e em 63,9% desses, a perda era do tipo neurosensorial, que vai se instalando aos poucos, geralmente é bilateral, e é irreversível. “Não dá para falar que esses fatores sozinhos causam perda de audição, mas associados com a idade contribuem para o agravamento ou aceleração da perda”, constata Luciana.

Carolina explica que a hipertensão, o diabetes, o fumo e o uso de álcool fazem com que micropartículas se depositem nas artérias e nos vasos sanguíneos. E, como na orelha interna os vasos são de pequeno calibre, qualquer obstrução pode causar morte celular (isquemia). O uso de fumo e álcool, segundo Luciana, também pode trazer espessamento sanguíneo e consequências vasculares. “A região é muito sensível”, ressalta Carolina.

O objetivo, segundo as pesquisadoras, é ampliar o estudo, intitulado “Prevalência da perda auditiva e fatores associados na população idosa de Londrina – estudo preliminar”, com a avaliação de todos os idosos que participam do projeto EELO.
Autor: Chiara Papali
OBID Fonte: Folha de Londrina