Alerta para a incidência de câncer no pulmão

A estimativa dos pneumologistas é que o Brasil termine 2009 com mais de 27 mil novos casos de câncer . No mundo, estima-se que seja diagnosticado cerca de um milhão de novos casos de câncer de pulmão anualmente.

Embora a incidência do câncer pareça estabilizar-se no homem a partir dos anos 90, cresceu persistentemente na mulher, com tendência a platô somente a partir dos anos 2000. O fato é atribuído ao crescimento das taxas de prevalência do tabagismo entre as mulheres, verificadas desde a Segunda Guerra Mundial.

No Brasil, para o ano de 2009, este câncer atingirá 27.270 brasileiros, dos quais 17.810 homens e 9.460 mulheres, sendo 760 cearenses, além disto, representa a primeira causa de morte no homem e a segunda, na mulher.

Todos os tipos de câncer de pulmão estão presentes em fumantes, sendo o tabagismo o principal fator de risco (85% – 90%). A mortalidade pelo câncer do pulmão exibe uma relação inversa com a idade do início do tabagismo. Outro agravante é o fato de que aqueles que começaram a fumar na adolescência têm maior risco de desenvolver a neoplasia do que aqueles que iniciaram com mais de 25 anos.

Apesar dos avanços na detecção e no tratamento do câncer de pulmão, a sobrevida em cinco anos permanece baixa. A maior sobrevida observada no mundo é atribuída aos países desenvolvidos (10 – 15%), seguida pelos países em desenvolvimento (8,9%).

Com a missão de ampliar o conhecimento da população sobre o tratamento e, principalmente, sobre a prevenção que foi comemorado, no último dia 27, o Dia Nacional de Combate ao Câncer. No Ceará, para reforçar a luta, foi realizado, na semana passada, o Pneumoceará2009.

DPOC

Outro tema abordado no evento foi a DPOC, definida por obstrução crônica ao fluxo aéreo que não é totalmente reversível, caracteriza-se pela combinação de bronquite crônica e enfisema pulmonar, com predominância de um ou de outro. Estima-se que a DPOC seja a quinta causa anual de morte no mundo.

No Brasil, estimativa revela prevalência de 15,8% em pessoas acima de 40 anos, sendo 18% em homens e 14% em mulheres, especialmente na faixa etária acima de 60. É a quinta causa de internamento no Sistema Único de Saúde e encontra-se entre as dez principais causas de óbito nos brasileiros. 85% dos portadores de DPOC são fumantes. Tosse e falta de ar progressivas são os principais sintomas. Parar de fumar é a intervenção mais efetiva em reduzir o risco de desenvolver DPOC e melhorar sua progressão.

Os mais pneumologistas cearenses discutiram também a atualização cientifica de outras as doenças pulmonares nos últimos dois anos, em destaque: asma, infecções respiratórias, tabagismo, tuberculose, hipertensão pulmonar, doenças intersticiais, ventilação mecânica, tratamento cirúrgico e reabilitação pulmonar.

PENHA UCHÔA é médica e presidente da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia (SCPT)
Autor: Penha Uchôa
OBID Fonte: O Povo