O poder destruidor do crack

Cachimbo improvisado e um estalo quando a pedra é queimada: crack. Eis o nome da droga que mais avança no Distrito Federal. Criado nos Estados Unidos, nos anos 80, o crack é a mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio ou amônia.

Aspirada pela boca, a fumaça é absorvida pelos pulmões e logo entra na corrente circulatória. O efeito é quase instantâneo: em seis segundos, o sangue contaminado chega ao cérebro.

Quando cheirada, a cocaína em pó demora mais pra agir: cinco minutos. Mas a sensação de prazer e euforia do crack dura seis vezes menos. Por isso, a compulsão.

“Eu estava usando, mas ao mesmo tempo já estava pensando em como iria conseguir mais”, conta um jovem dependente químico.

“Usa a primeira vez, e gosta. Na segunda, vai por querer. A terceira vai por querer também. Até se viciar. E quando vê, não tem mais salvação pra sair”, relata um outro jovem dependente químico.

Passado o efeito: “vem a depressão, a fase em que surgem os efeitos psiquiátricos, em que surgem as paranoias, as perseguições. Se ele não morre pelos efeitos que a droga causa no seu organismo, acaba que ele vai falecer pela violência em torno da droga”, explica médica toxicologista Andréa Amoras

A dependência parece um poço sem fim. O usuário quer sempre mais e, quando se dá conta, a mesada, o salário, não é mais suficiente para sustentar o vício. Daí, entrar na criminalidade é um pulo.

Adolescente com fala de homem feito. De viciado desde criança a traficante, aos 13 anos. “Meu pensamento era roubar, matar e usar muita droga, pegar muita mulher, ter muito dinheiro e droga”, afirma um garoto.

Um rapaz, da Asa Sul, filho de funcionários públicos, começou vendendo as próprias roupas. “Cheguei a vender minha televisão, vendi meu som e várias outras coisas de dentro de casa. Até chegar ao assalto”, conta.

No crime do vício, homens assaltam; mulheres se prostituem. O menino do Recanto das Emas e o rapaz do Plano Piloto estão em tratamento. Para as famílias fica o aviso. “É preciso vigiar, porque começa devagar, começa aos poucos. Eu comecei fazendo um jogo de um tênis, o jogo de uma blusa [negociando]. Eu não cheguei de cara fazendo coisa grande, mas eu cheguei até o ponto de fazer essas coisas sim”, diz.
Fonte:Rede Globo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)