Uso precoce de álcool está associado às influências genéticas

Pesquisa australiana, recém-divulgada pelo CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes sobre o tema no País, aponta que o uso de álcool precoce, principalmente antes dos 13 anos de idade, está associado às influências genéticas.

Estudos realizados com gêmeos têm demonstrado que a dependência alcoólica é influenciada por fatores hereditários e ambientais (como por exemplo, a influência familiar) comuns, sendo que a idade de início do uso de álcool é apontada como um importante moderador dessas influências. Esse novo estudo buscou analisar a influência de fatores hereditários e ambientais no desenvolvimento dos sintomas da dependência alcoólica, avaliando 6.257 gêmeos monozigóticos (idênticos, gerados a partir de um único zigoto) e dizigóticos (fraternos, gerados a partir de dois ou mais zigotos) adultos, de ambos os sexos.

Eles foram avaliados por meio de questionários com o objetivo de estabelecer: como a idade de início do uso de álcool influenciava os sintomas da dependência alcoólica e qual era a magnitude do efeito da idade de início sobre as heranças genéticas e ambientais dos indivíduos. A análise de gêmeos monozigóticos nesse tipo de estudo possui o intuito de mostrar a influência genética sobre determinado fator estudado (por exemplo, idade de início do consumo de álcool e desencadeamento da dependência), enquanto o estudo de gêmeos dizigóticos pode apontar para causas ambientais no desenvolvimento da dependência, já que são indivíduos geneticamente diferentes.

Entre os resultados da pesquisa estão:

– O risco para a manifestação dos sintomas da dependência de álcool aumentou na proporção que diminui o início de uso de álcool;
– As influências hereditárias sobre os sintomas da dependência alcoólica foram mais pronunciadas entre os indivíduos que relataram o primeiro consumo de álcool antes dos 13 anos de idade e;
– Em indivíduos que relataram o uso inicial de álcool mais tardio, particularmente após os 18 anos de idade, a variação nos sintomas da dependência alcoólica foi largamente atribuída a fatores ambientais, tais como a influência familiar ou de amigos.

Os autores também concluíram que a idade de início do uso de álcool é um potencial fator de risco para o desenvolvimento dos sintomas da dependência alcoólica. Inclusive, de acordo com pesquisas norte-americanas anteriores, cada ano de atraso no início do uso de álcool é capaz de gerar uma redução de 14% no risco para a dependência do álcool.

Desta forma, um fator protetor contra a predisposição familiar ao desenvolvimento de sintomas da dependência alcoólica seria, então, o início tardio do consumo de álcool por jovens. No entanto, muitos pais ainda não sabem quando e como abordar o tema com os seus filhos.
Seção: Vivendo Leve/UOL
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)