Quem pode matar o crack?

Não é de hoje que se lê, se ouve e se vê nos noticiários que a culpa, ou pelo menos uma das principais causas, do uso de drogas em nossa região ocorre em função quase que exclusivamente do que convencionou-se chamar de falta do que fazer dos nossos jovens.

Grande parte dos nossos analistas sociais apregoa que os jovens usam entorpecentes principalmente por falta de oportunidades. Afirma-se que a falta de escolas, de opções culturais e de lazer e trabalho tem papel preponderante no aumento do número de usuários de drogas, em especial o crack. Me pergunto: onde viverá esse pessoal? Certamente, não em Blumenau.

Em Blumenau temos museus, teatros, bibliotecas, festivais, clubes culturais, cinemas, livrarias, parques ecológicos… As oportunidades de trabalho em nossa cidade estão entre as melhores do país. Nosso índice de analfabetismo é coisa de primeiro mundo e há escolas públicas de qualidade espalhadas por toda a cidade. Portanto, obviamente, e ao menos em nossa região, não é por falta de oportunidades de educação, cultura, lazer e trabalho que os jovens estão optando pelo crack.

O crack, tanto quanto o álcool, o cigarro, a maconha ou a cocaína, é tal e qual o esporte, o estudo ou o trabalho: apenas mais uma opção na vida dos nossos filhos. A opção pelas drogas é muito mais fácil e recompensadora a curtíssimo prazo. E o curto prazo e o prazer são as únicas referências que um jovem possui quando seus pais não lhe impõem regras e não lhe exigem respeito.

Não há policial, juiz, psicólogo ou pastor que dê conta de salvar nossos filhos do álcool, do cigarro, da maconha, da cocaína ou do crack. Não há professor, por mais dedicado que seja, que convença um jovem a estudar se ele puder ficar gazeteando aula e seus pais não tomarem nenhuma providência.

Culpar a sociedade, os políticos ou o traficante não resolve o problema de nossos jovens adoecidos pelas drogas. Cabe-nos como pais repensar nossas atitudes diante de nossos filhos. Também não é o caso de nos sentirmos culpados. Quem condenaria um pai por fazer o melhor que sabe para educar seus filhos?

Não é de emprego, escola ou diversão para preencher o tempo de nossos filhos que estamos precisando. Precisamos de ajuda para repensarmos nossas atitudes familiares, às quais estão na base da formação de qualquer pessoa.

Mas este tema é vasto demais para se esgotar num tão breve artigo. Ficarei feliz se um pai ou uma mãe, quiçá um casal, entenda que só a lei, a ordem e a vigilância familiar podem salvar um jovem das drogas. E lembremo-nos de que o tempo que está nos faltando para estarmos junto de nossos filhos é o mesmo que o traficante usa para cooptá-los.
Autor:Claudemir Casarin – Psicólogo
Fonte:Jornal de Santa Catarina/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)