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Drogas: luz, mais luz!

Iniciamos este texto com uma metáfora: em 1833, Goethe, o maior literato alemão, já em seu leito de morte, pronunciou suas derradeiras palavras: Lich, mehr licht! Luz, mais luz!

Uma frase instigante, não apenas sob o aspecto histórico, mas, antes de tudo, sob um aspecto simbólico e atitudinal. Não há problema que se resolva sem que projetemos alguma ou muita luz sobre ele. A droga ilícita é um limbo sombrio, enrustido, silente, mas com efeitos devastadores. Deve ser tratada como um problema policial, sim, mas também como um problema social e de saúde pública, a exemplo do câncer, álcool, tabaco, Aids e gripe A e com intensa participação das comunidades científica e civil, da mídia e das escolas.

Na década de 1970, o câncer era uma palavra maldita e impronunciável, e hoje o tema circula abertamente em qualquer ambiente, facilitando a prevenção e o diagnóstico. Tabu, vergonha extrema e preconceito pairavam sobre os “aidéticos”, a ponto de serem segregados como os leprosos – hoje hansenianos – do evangelho. O HIV saiu do armário escuro, as causas da transmissão são amplamente conhecidas. Projetava-se uma pandemia, mas, no entanto, o vírus navega em uma curva decrescente, com queda de 17% nos últimos oito anos.

Há 20 anos, começaram as medidas antitabagistas por causa dos malefícios à saúde, à estética pessoal, ao fumante passivo. O descenso no número de fumantes foi de 32% para 17% da população brasileira, atingindo-se um dos mais baixos índices do mundo. O número de ex-fumantes (26 milhões) já supera o de fumantes (24,6 milhões). Mais um exemplo de que, no início do banimento do cigarro, o fogo gerou muito calor (embates), e na sequência, muita luz.

Dados recentes da Secretaria Nacional sobre Drogas (Senad) indicam que cerca de 12% da população brasileira têm algum tipo de dependência em álcool ou outras drogas e que geram comportamentos de risco ou violência.

Não se trata de advogar a total abstinência da bebida, pois todos sabem – evidentemente com temperança – dos benefícios da descontração e alegria de alguns copos de cerveja na companhia dos amigos ou do vinho na presença de quem se ama.

Estamos iniciando mais uma década e vislumbro que poucos temas serão tão recorrentes quanto o álcool, a maconha, a cocaína, o crack e os alucinógenos. As drogas sintéticas – ecstasy e LSD – mais consumidas nas raves e na night podem ser facilmente adquiridas pela internet, nas baladas ou por meio dos colegas. O crack provoca dependência quase instantânea e seus efeitos são devastadores à saúde física, mental e moral. É apavorante o aumento no número de apreensões no Paraná: 1.110% nos últimos quatro anos.

Percorreu-se, e ainda se percorre, um espinhoso caminho na busca da redução dos danos causados e pelos preconceitos. Maior é o desafio no combate inclemente às drogas ilícitas, ao glamour e aos excessos da bebida. É imprescindível a intensa participação do governo, de entidades científica e civil, dos meios de comunicação e das escolas. Maior deve ser a energia nesse enfrentamento. Haja luz! Fiat lux, manifestou-se o Criador ante as trevas que cobriam a Terra.
Autor:JACIR J. VENTURI – Diretor de escola. Por 35 anos, foi professor do ensino fundamental, médio, pré-vestibulares, da UFPR e da PUCPR/A Notícia – SC – Joinville/SC
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)