A dança no programa de recuperação de dependentes químicos: como este recurso pode ajudar?

UNIAD- SBC, de forma inovadora, tem ha dois meses inserido oficinas de dança e musicalidade em seu “menu de estratégias” terapêuticas para auxiliar dependentes químicos que estão em processo de recuperação.

A proposta foi parcialmente inspirada no filme de Antonio Banderas intitulado “ Vem Dançar ”. Antonio Banderas faz o papel do professor carismático, apaixonado e atraente de dança Pierre Dulaine. Quando este professor primeiro apresenta a proposta de ensinar dança de salão aos alunos de uma escola da periferia administrada com autoritarismo e de forma carcerária a reação inicial é de espanto e incredulidade. Mas a diretora decide avaliar o conceito e destina o latino professor para trabalhar na sala dos alunos que estão de castigo. Estes reagem com desdém, sarcasmo, ironias e irreverência com aquilo que o novo professor toca para eles. Pouco a pouco, porém, os alunos concordam em aprender o que ele tem a lhes ensinar, fundindo estilos hip-hop com a dança tradicional, criando um estilo novo e, sobretudo ampliando um repertório cultural outrora esquecido.

Algo semelhante também aconteceu na UNIAD SBC. No entanto, mesmo sendo os primeiros meses de implantação do projeto de dança como apoio no tratamento da dependência química, os resultados já superaram todas as expectativas dos profissionais da área de saúde envolvidos no tratamento dos nossos pacientes.

O projeto criado e desenvolvido pelo professor Humberto Siles, membro da Cia. de Dança Conexion Caribe, Organizadora dos Congressos Mundiais de Salsa no Brasil, visa aplicar suas técnicas de ensino nos ritmos caribenhos, como apoio na assistência dos pacientes, com uma abordagem social, educativa e terapêutica, e não somente recreativa.

Contamos na unidade com 28 leitos, e somente não participam aqueles que apresentam restrições clinicas.

A cada oficina é observado os diferentes graus de aprendizagem dos pacientes, e isto nos proporciona avaliar suas dificuldades.

Por ser uma atividade envolvente, os pacientes aguardam ansiosos pelas aulas que acontecem três vezes por semana. Como os pacientes permanecem em média 30 dias na enfermaria, e a cada semana entram novos pacientes, o projeto tende a atender com flexibilidade a todos, que logo se adaptam aos movimentos ensinados.

Muitas pessoas foram resistentes a vida toda a se envolver com a dança, principalmente por se sentirem incapazes, por timidez, etc. e neste aspecto, a oficina também se apresenta como uma das ferramentas eficientes na melhora da auto-estima, na exploração das próprias descobertas, tendo em vista ser algo desafiador, um exercício constante de superação das resistências as adversidades.

Integração e socialização são uns dos benefícios instantâneos da oficina, assim como um meio bem informal de ensino do respeito ao espaço do outro e de trabalho em grupo. Isto sem falar nos benefícios da atividade física que alonga, relaxa, flexiona, dá força, estimula os reflexos, coordenação motora e dá agilidade.

Quanto à arte, temos proporcionado um momento cultural, onde os pacientes podem aprender mais sobre a musicalidade, a histórica da dança e seus personagens famosos.

O estímulo a participação das oficinas de dança no período de internação, tem despertado nos pacientes, a vontade de iniciar uma mudança no estilo de vida, possível e prazerosa sem drogas
Texto:Professor de dança Humberto Siles , psicóloga Juliana Marinho e psiquiatra Alessandra Diehl
Fotos:Juliana Marinho ( psicóloga UNIAD SBC)
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas