Pesquisa mostra que vacinas contra uso de cocaína tem efeitos positivos

30 de dezembro de 2009 (Bibliomed). Não existe tratamento farmacológico para a dependência de cocaína aprovado pelo FDA – órgão que controla alimentos e medicamentos nos Estados Unidos. Porém, um estudo recentemente publicado na revista Archives of General Psychiatry indica que a presença de altos níveis de anticorpos IgG anti-cocaína (>43mcg/mL) no sangue estariam associados com um uso significativamente menor da droga. Segundo os autores, esses resultados trazem esperança de um futuro desenvolvimento de vacinas e adjuvantes contra a dependência química.

Os pesquisadores avaliaram a segurança, eficácia e a imunogenicidade de uma nova vacina com cocaína para tratamento da sua dependência. Participaram 115 pessoas tratadas com metadona – 67% homens, 87% brancos, entre 18 e 46 anos – que foram recrutados no período entre outubro de 2003 e abril de 2005 para participar de um estudo randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, fase 2b, com 24 semanas de duração para avaliação de eficácia e acompanhamento de até 24 semanas. As análises iniciais mostraram que a maioria dos participantes havia fumado crack juntamente com maconha (18%), com uso de álcool (10%) e opioides sem receita (44%).

Ao longo de 12 semanas, 109 participantes receberam cinco vacinas de placebo ou succinil-norcocaína ligada à toxina recombinante do cólera. Os 21 indivíduos vacinados (38%) que apresentaram níveis de IgG anti-cocaína de 43mcg/mL ou maiores tiveram amostras de urina com significativamente menos cocaína do que aqueles com níveis menores do que 43mcg/mL e aqueles recebendo placebo num período de nove a 16 semanas (45% vs 35% amostras de urina sem cocaína, respectivamente). A proporção de indivíduos que mostrou uma redução de 50% no uso de cocaína foi significativamente maior entre aqueles com altos níveis de IgG (p=0,048). E os efeitos adversos mais comuns foram induração e dor no local da aplicação. Mas não foram observadas mortes, desistências ou eventos adversos graves.

“A presença de altos níveis de anticorpos IgG anti-cocaína (>43mcg/mL) foi associada com um uso significativamente menor de cocaína, mas apenas 38% dos indivíduos vacinados apresentaram estes níveis de IgG com apenas dois meses de descontinuação adequada do uso da droga”, concluíram os autores, destacando a necessidade de mais estudos para aprimorar medicamentos baseados nesses resultados.
Fonte: Arch Gen Psychiatry. Volume 66, Number 10, Oct 2009. Pages 1116-1123
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas