Falta internação para tratar dependentes

O município de Bauru disponibiliza gratuitamente atendimento ambulatorial a dependentes químicos no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD). Uma equipe multiprofissional – médico psiquiátrico e clínico geral – atente e orienta quem quer deixar o vício. Para isso, fornece medicação para o dependente enfrentar a crise de abstinência. O órgão dispõe de três leitos para os pacientes das 7h às 17h, de segunda a sexta-feira. O problema é que a cidade não conta com atendimento 24 horas, de leitos para pacientes em surto, nem clínica ou hospital especificamente para internação.

A terapeuta ocupacional do CAPS-AD, Janice Moreira Gomes, reconhece que a falta de atendimento 24 horas por dia e clínica para internação é um problema que Bauru tem de sanar. Atualmente, quando a equipe multiprofissional indica internação do paciente porque o atendimento ambulatorial não é suficiente, ele tem de aguardar vaga em hospitais psiquiátricos do Sistema Único de Saúde (SUS) da região, o que geralmente demora.

Em casos de adolescentes, o processo é mais ágil porque a necessidade de internação é informada ao Judiciário, que em várias situações tem determinado à prefeitura que pague a clínica. A Secretaria Municipal de Saúde mantém convênio com a Associação Beneficente dos Amigos do Recanto Renascer, de Votorantim, para internar adolescentes do sexo masculino, que não aderem ao tratamento ambulatorial.

Atualmente, a Secretaria de Saúde mantém oito meninos internados em cumprimento a mandado judicial. Por mês, cada um deles custa, R$ 733,00 aos cofres municipais. Além desses, duas adolescentes foram encaminhadas, via mandado judicial, para a Comunidade Terapêutica, em Araçatuba.

De acordo com Janice, desde que o CAPS-AD começou a funcionar, em 2002, já foram atendidos 15 mil usuários de drogas. Atualmente, a média mensal é de 300 atendimentos. A maioria dos que buscam ajuda no órgão é viciada em crack, a droga mais danosa tanto ao organismo do usuário quanto à sociedade porque leva a pessoa a cometer crimes para sustentar o vício.

Entre os que buscam ajuda, a maior parte é adulta. O adolescente, o jovem, tem maior dificuldade de aceitar o tratamento. Já o adulto, diz Janice, em algum momento tenta parar de usar a droga porque percebe o quanto ela atrapalha sua vida profissional, familiar e social. Mas mesmo quando o dependente químico aceita o tratamento, consegue a internação, as recaídas são muito comuns, segundo Janice.

Pela experiência entre os usuários do CAPS-AD, ela calcula que entre 50% e 70% dos dependentes químicos voltam a usar droga, mesmo com tratamento ambulatorial ou hospitalar. “A dependência não tem cura. Tem controle”, pondera ela.

Serviço
O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD) fica na rua Cussy Júnior, 12-27, Centro. Funciona das 7h às 17h. O telefone 3227-3287.
Fonte:Jornal da Cidade/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)