Grande BH “fuma” 120 t de crack

Com um forte potencial de criar dependência química, o crack continua se alastrando com facilidade nos grandes centros urbanos. Na Grande Belo Horizonte, a substância já representa boa parte dos entorpecentes consumidos, totalizando 120 t por ano, segundo estimativa da organização não governamental (ONG) Defesa Social.

Onze municípios foram pesquisados pelo policial civil Robert William de Carvalho, presidente da entidade, em novembro e dezembro passados. O estudo foi feito por amostragem.

“Entrevistamos mais de 530 usuários de crack e concluímos que a média diária de consumo é de cinco pedras por pessoa”, disse. Estima-se ainda que, apenas na capital, existam pelo menos 50 mil dependentes de crack (de um universo de 144 mil usuários de drogas diversas). Na média, cada uma dessas pessoas consomem 2,4 kg de crack por ano.

Segundo o subsecretário de Estado de Políticas Antidroga, Cloves Benevides, o estudo realizado pela ONG está em análise. “Os dados são preocupantes, mas ainda não encontramos embasamento metodológico. No entanto, se conseguirmos provar que eles são reais, o trabalho servirá como referência para as políticas antidrogas”, explicou.

Ainda de acordo com Benevides, um grupo de pesquisadores será contratado, e os números da pesquisa serão cruzados com os da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) para um comparativo. A próxima etapa será analisar o resultado e notificar as autoridades para que as providencias sejam tomadas.

Na capital mineira, é comum ver pessoas consumindo crack em locais públicos. Ontem, a reportagem de O TEMPO acompanhou alguns usuários fazendo o uso da droga, em plena luz do dia, no centro da cidade. No ano passado, 39% dos 1.140 dependentes químicos atendidos no Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) eram de dependentes de crack. Foi a primeira vez que o número de consumidores da pedra superou os de álcool (37%).

De acordo com a gerente do CMT, Raquel Pinheiro, nos dez anos de disseminação da droga em Minas, houve uma mudança também na faixa etária dos usuários de crack. Antes, segundo Raquel, a faixa etária mais significativa era entre 18 a 24 anos. Atualmente, mudou para 25 a 40 anos.

Mobilização. No mês passado, o Ministério da Saúde lançou campanha nacional contra o crack, com enfoque no público jovem. O slogan é “Nunca experimente o crack. Ele causa dependência e mata”.

Presos com 300 pedras
Dois rapazes, de 18 e 19 anos, foram presos ontem com mais de 300 pedras de crack em Contagem, na Grande BH. Eles correram depois de verem uma viatura da PM que patrulhava o bairro São Mateus.

Segundo a PM, a dupla estava em um local conhecido como ponto de venda de drogas. Com eles foram apreendidas também 400 g de maconha, (Anna Flávia Nunes)

Números
120 t de crack é a estimativa do consumo, por ano, na Grande BH
5 pedras é a média do consumo diário de um dependente
R$ 10 é o valor da pedra de crack comercializada em BH
Fonte:O Tempo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)