Um problema que atormenta todas as classes sociais

O que antes era um mal das grandes cidades e de classes econômicas mais baixas, hoje, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas, 62% dos usuários de drogas ilícitas no Brasil é da classe A. O problema passou a ser também dos municípios de médio e pequeno portes. As drogas estão destruindo muitos lares mossoroenses. Estima-se que na cidade existam muitos usuários de entorpecentes. Mas esse mal pode ser revertido se tomadas atitudes antes que o usuário habitual torne-se um viciado crônico.

O estudante E. D. relata o caso de seu irmão, ex-dependente que viveu sob os efeitos das drogas durante quatro anos. “Meu irmão iniciou o período nebuloso de sua vida quando usou pela primeira vez loló em uma micareta (carnaval fora de época). Depois, veio a maconha, o craque e a cocaína. Meus pais no começo não acreditavam que ele era usuário. Só depois que a situação ganhou grande proporção é que eles constataram o vício. Minha família ficou totalmente desestruturada, passei a odiar meu irmão, cheguei até pedir a sua morte. Ele ficou em uma situação deplorável, dormia no chão, realizava pequenos furtos na nossa casa e nas residências dos vizinhos. Passou a ser agressivo para obter dinheiro para comprar drogas. Chegou a ser preso várias vezes. Pedi muito a Deus para ajudá-lo a parar. E na última vez em que foi preso, depois de quatro anos de vício, ele decidiu aceitar ajuda. No início, eu não acreditei, mas depois constatei que era verdade. Há quase dois anos que ele não usa drogas. Hoje, meu irmão trabalha, casou, tem filhos e é feliz, assim como toda a minha família”.

Segundo o psicólogo Paulo Henrique, não é do dia para noite que a pessoa se torna usuária de drogas. Ele explica que é um efeito “bola de neve”. Ou seja, há um processo que leva o indivíduo a se tornar dependente. Na maioria das vezes, a pessoa usa drogas pela primeira vez por incentivo de alguém. “O usuário de drogas geralmente apresenta comportamento e atitudes diferentes do seu habitual. Os pais devem ficar atentos a essas mudanças, a esses indícios”, disse Paulo Henrique.

O psicólogo exemplifica quais são as principais mudanças que ocorrem no comportamento e nos hábitos dos usuários de droga: falta de motivação para estudar ou trabalhar; troca o dia pela noite; irritabilidade, comportamento impulsivo, não têm paciência de esperar que as coisas aconteçam normalmente; perda de interesse pelas atividades rotineiras; insônia; apresentam olhos vermelhos e olheiras; sentem necessidade cada vez mais de dinheiro e com isso começam a sumir objetos de valor ou dinheiro; mudanças súbitas de humor, com momentos de euforia, atitudes bizarras, agressividade e tristeza; começam a se relacionar com pessoas diferentes; ficam descuidados com a aparência e higiene pessoal; podem apresentar cheiro forte de solvente ou outras substâncias nas roupas; têm falta de apetite, tudo isso pode ser indício do uso de drogas.

O usuário de drogas se ilude a respeito de sua condição e nega a realidade, não admite a dependência química, acha que para quando quiser e consegue controlar o vício. Os pais não devem fingir que não sabem que seus filhos estão usando drogas. “Fazer de conta que não sabe nunca deve ser atitude de um pai. Deve-se abrir um diálogo, mostrar que está a par da situação”, alerta dr. Paulo Henrique. E acrescenta: “hoje em dia, os tratamentos são multidisciplinares e interdisciplinares. Necessariamente, com medicação prescrita e acompanhada por um psiquiatra. Além do auxílio de um psicólogo e o apoio de toda a família”.

Em Mossoró, existem várias instituições públicas e privadas que ajudam dependentes químicos na reabilitação. A Prefeitura de Mossoró mantém órgão de apoio aos dependentes químicos chamado Capes AD, além da ONG Narcóticos Anônimos e da Fazenda Esperança. Existe também na cidade o projeto “Viver sem Drogas”, idealizado pela vereadora Cláudia Regina e que tem como objetivo prevenir nas escolas o uso de drogas, através da conscientização dos estudantes mostrando os malefícios que as drogas produzem.
Fonte:Jornal O Mossoroense/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)