Alcoólicos Anônimos fazem 30 anos

O grupo Alcoólicos Anônimos (A.A.) completa hoje 33 anos de atividade em Maringá. A data será comemorada não apenas como marco de fundação de uma irmandade, mas principalmente pelas vidas que resgatou em todos esses anos de existência.

A entidade coleciona histórias daqueles que deixaram o vício do álcool e hoje tentam ajudar outras pessoas. Depoimentos de ex-alcoólicos que narram vitórias diárias contra a bebida e análises científicas que constatam que o alcoolismo é uma doença são alguns dos principais argumentos do A.A. para mostrar que é possível sair do fundo do poço.

“Comecei a beber na escola, era uma mistura de refrigerante com pinga, tinha uns 16 anos. Todos os finais de semana consumia álcool, depois passei a beber todos os dias. Uma vez, era segunda-feira, e eu estava de ressaca, nem tinha mais condições de beber, quando um amigo me convidou para uma reunião do A.A.”, conta Wilson, que prefere não revelar o nome completo na reportagem.

Ele diz que começou a frequentar o A.A. aos 20 anos de idade, em 1989, a convite de um amigo, e não deixou mais a entidade. “No começo, achava que não precisava, que era muito novo, mas realmente eu estava no fundo do poço”, relata.

Doença

Outra associada, Lia (que também prefere não revelar o nome completo), diz que a maior dificuldade é um alcoólatra reconhecer que se trata de uma doença e que deve procurar ajuda. Lia conta que a bebida interferiu profundamente em sua vida.

“Comecei a faltar ao serviço e mentia, dava desculpas, dizia que tinha um parente doente. Cheguei a um ponto que não tinha mais desculpas para inventar. Minha saúde estava fragilizada, meu fígado não aguentava mais. Tive que pedir ajuda e, quando aceitei que era uma doença, ficou mais fácil procurar tratamento”, conta ela, ensinando que o alcoolismo não tem cura. “Mas é uma doença que pode ser estacionada”, arremata.

A psicóloga Maria Luiza Dutra diz que há um estigma sobre a doença e muito preconceito. “A família esconde, porque não sabe como lidar”, explica. Em sua análise, é difícil um alcoólatra admitir que precisa de ajuda.

“Geralmente, eles procuram ajuda quando ocorre uma crise em sua vida social ou profissional. É quando, por exemplo, a esposa diz que vai pedir o divórcio se o marido não parar de beber”, demonstra, apontando que o ideal seria não deixar a situação chegar a esse ponto.
Fonte:O Diário do Norte do Paraná Online-Vanda Munhoz/UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas