Uso combinado de antidepressivos cresce em dez anos

Para especialistas, embora não se conheçam efeitos a longo prazo, combinação de remédios pode aumentar chances de recuperação

Um estudo feito na Universidade de Columbia (EUA) mostra que uma prática se torna cada vez mais comum: a prescrição de uma combinação de drogas psicotrópicas para tratar doenças como depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

Para os autores, embora pouco se saiba sobre o funcionamento ou os efeitos colaterais a longo prazo, a combinação de drogas psiquiátricas vem sendo usada para tratar uma vasta gama de doenças mentais.

Eles examinaram dados de mais de 13 mil consultas a psiquiatras entre 1996 e 2006 nos EUA. Focaram em quatro classes de drogas: antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores de humor e sedativos.

Segundo o estudo, publicado no “Archives of General Psychiatry”, o número de consultas em que duas ou mais drogas foram prescritas aumentou de 43% para 60%. As mulheres entre 45 e 64 anos foram as pacientes que mais receberam essas prescrições.

As combinações mais comuns foram entre dois antidepressivos e entre antidepressivos e sedativos ou estabilizadores de humor.
Os autores sugerem que o aumento da prática se deva ao menor risco de efeitos colaterais da nova geração dessas drogas -médicos se sentiriam tranquilos para combiná-las.

Para o psiquiatra Acioly Lacerda, da Universidade Federal de São Paulo, trata-se de uma realidade cada vez mais presente na prática psiquiátrica. “A chamada polifarmácia tem acontecido, inclusive contra as recomendações recebidas nas residências em psiquiatria e contra os consensos de especialistas. Porém, estudos recentes têm confirmado que, de fato, a associação de medicamentos proporciona uma maior eficácia no tratamento”, diz.

Um deles, que será publicado no “American Journal of Psychiatry”, mostra que a combinação de drogas pode dobrar as chances de controle da doença em comparação com o uso de um único remédio. E que foi tão bem tolerada quanto os remédios sozinhos.
Segundo o psiquiatra Renério Fráguas, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em SP, a combinação de dois remédios é algo bem estabelecido. “Isso potencializa os efeitos e, normalmente, se usam duas drogas com diferentes mecanismos de ação. Mas, de fato, não há estudos sobre os efeitos a longo prazo”, reconhece ele. “Sabe-se que aumenta o potencial de efeitos colaterais e de interação medicamentosa. Por isso, a combinação nunca deve ser a primeira escolha.”

Também é preciso diferenciar os pacientes que respondem mais lentamente. Às vezes o paciente recebe a droga certa, mas na dose errada. Outros precisam de psicoterapia para complementar o tratamento.
Autor: Editoria Saúde
OBID Fonte: Folha de São Paulo