Uso de maconha leva jovem ao tráfico

O adolescente Henrique (nome fictício), hoje com 17 anos, começou a fumar quando tinha 11, mas foi o contato com a maconha, em 2008, que o levou ao mundo do tráfico e, como consequência, à primeira internação na Fundação Casa.

Atualmente, Henrique cumpre o segundo período de internação -ele está há oito meses na unidade Rio Pardo da fundação, em Ribeirão.

Em 2008, quando foi internado pela primeira vez, ele ficou apenas 30 dias na unidade de internação provisória, enquanto aguardava decisão judicial. Apenas cinco meses depois, foi pego novamente e retornou para internação que pode chegar a três anos.

Henrique disse que começou a fumar maconha por ver amigos consumindo a droga. A curiosidade deu lugar ao vício e, para conseguir comprar a droga, começou a traficar.

Ao ter acesso ao dinheiro fácil trazido pelo tráfico, Henrique viu que poderia comprar coisas que os amigos tinham e ele queria. “Comecei a traficar para me sustentar e pela dificuldade também que eu tinha de não ter um tênis bom, uma roupa boa”, afirmou.

Ele disse que, na segunda vez em que foi pego pela polícia, não estava mais vendendo drogas. Mas afirma que tinha voltado a fumar maconha, mesmo depois do primeiro período de internação na fundação.

“Às vezes eu penso que eu estava melhorando, mas foi uma fraqueza minha de consumir a droga de novo, que me trouxe para cá outra vez”, disse.

Após oito meses de internação, Henrique afirma ter mudado de comportamento e de pensamento. Ele viu no esporte uma atividade prazerosa e começou a competir em provas de natação e tênis de mesa pela equipe da unidade de internação. Em um torneio entre unidades disputado no ano passado, ele ganhou três medalhas na natação.

Outro sonho, diz, é seguir carreira no teatro. Henrique afirma que abraçou essas atividades para deixar a droga e sair da lista de reincidentes que retornam à fundação.
Fonte:Folha de S Paulo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)