Jovens são principais vítimas da violência

Os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmam que os jovens aparecem nas estatísticas do País como as maiores vítimas de violência, principalmente de homicídios. Os dados sobre os agressores indicam que os jovens também aparecem como autores de mortes e lesões corporais. No Brasil, a faixa etária de 15 a 29 anos é considerada de alto risco, quando deveria ser uma das mais saudáveis do ciclo vital. No que se trata do abuso de drogas, o grupo com idade de 18 a 24 anos é o que registra as maiores porcentagens de dependentes de álcool, com 19,2% contra 12,3% do total de todas as idades. A partir dos 12 anos, os jovens dependentes do sexo masculino prevalecem com 27,4% contra 12,1% do sexo feminino. O conjunto de homens de todas as faixas etárias é de 27,4% contra 19,5% das mulheres. Os dados foram analisados no livro Juventude e Políticas Sociais no Brasil, divulgado ontem, pelo instituto.

O livro mostra que os jovens aparecem nas estatísticas do País como as maiores vítimas de violência, principalmente de homicídios. Os dados sobre os agressores indicam que os jovens também aparecem como autores de mortes e lesões corporais. Estudos apontam que deve haver ressalvas na criminalização precoce dos jovens e que políticas de repressão focadas para essa faixa etária, sem cuidados, tendem a favorecer a conduta errada da juventude.

No período pesquisado, a taxa de mortalidade média de jovens de 20 a 24 anos foi de 261,80 por 100 mil habitantes (sexo masculino) e de 58,43 por 100 mil, para jovens (sexo feminino). A taxa de mortalidade na faixa etária de 18 a 24 anos foi de 204,58 para cada 100 mil brancos e de 325,04 para o mesmo universo de negros.

No Brasil, foram notificados 112 mil casos de aids entre jovens de 15 a 29 anos até 2005. Este número representa 30% do total de casos notificados no País desde o início da epidemia, nos primeiros anos da década de 1980. Na faixa etária, a transmissão sexual é tratada como a principal forma de contágio, sendo seguida pela infecção via sangue.

A incidência de mulheres com a doença aumentou. A relação, que já foi de 2,4 casos registrados em homens para cada registrado em mulheres, em 1996, hoje é quase de 1,5 caso registrado em homens para cada caso registrado em mulheres. Na faixa etária de 15 a 29 anos, a relação é de 1,1 homem para cada mulher.

Outras DSTs também são problemas relevantes entre os jovens, como sífilis, uretrites e HPV. A disseminação de informações e formas de proteção, como o uso de preservativos, são importantes instrumentos no combate a estas doenças. Por isso, a educação sobre saúde sexual e reprodutiva é considerada relevante para o controle do avanço dessas doenças.

Educação

Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior em 2007. O estudo aponta que houve avanços no acesso de jovens na educação. Em 2007, 82% dos jovens de 15 a 17 anos frequentavam a escola. O problema está no atraso para concluir os estudos: apenas 48% estava no ensino médio.

Para o diretor de estudos e políticas sociais do instituto, Jorge Abrahão, a educação é vista pelos jovens como uma força positiva. Eles entendem a educação como um caminho para melhorar a vida. Mas o jovem enfrenta no processo de escolarização problemas de desigualdades de oportunidades, aponta.

A cor, o nível de renda e o local onde mora o jovem interferem nas oportunidades de acesso. Em 2007, 57% dos brasileiros de 15 a 17 anos que residiam em áreas metropolitanas frequentavam o ensino médio, contra pouco menos de 31% no meio rural.

O problema do analfabetismo, entretanto, tem se tornado questão residual nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, atingindo apenas 1% da população entre 15 e 24 anos.
Fonte:Diário da Manhã/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)