Programa “Tolerância Zero”, em SP registra 40% de reincidência entre moradores de rua

Cerca de 40% das pessoas abordadas ontem na primeira operação Bom Dia Morador de Rua da Prefeitura de Campinas deste ano, no prédio da antiga rodoviária, no Botafogo, já haviam sido atendidas em uma das outras sete edições da ação, que começou em setembro do ano passado. Os agentes da operação encaminham moradores de rua para programas de assistência social. Segundo o balanço da Secretaria de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, 38 das 92 pessoas encontradas no Centro da cidade ontem eram reincidentes.

Desde a primeira edição, 712 pessoas foram abordadas e 68% tiveram algum tipo de encaminhamento. A ação faz parte do programa Tolerância Zero da Administração municipal, uma espécie de força-tarefa realizada em parceria com as polícias Civil e Militar que visa combater o descumprimento da ordem social atuando em frentes como fiscalização de estabelecimentos, abuso do solo público, perturbação do sossego público e segurança.

Até a semana passada, 44 de 160 estabelecimentos comerciais vistoriados na região central haviam sido lacrados. Quatro deles conseguiram cumprir as exigências para voltar a funcionar e o restante permanece em situação irregular.

Uma reportagem mostrou que, apesar dos esforços do programa, a insegurança permanece na região do Botafogo, que registra um alto índice de roubos e furtos de pedestres, veículos e estabelecimentos comerciais. No domingo, um guarda municipal foi assassinado por um morador de rua. Além disso, flanelinhas foram flagrados anteontem atuando no cruzamento das avenidas Andrade Neves e Benjamin Constant e moradores de rua pediam dinheiro a motoristas entre a Andrade Neves e a Rua Barão de Itapura.

De acordo com a Prefeitura, entre os 92 moradores de rua abordados ontem, 17 eram de Campinas, 47 eram de outras cidades paulistas, 27 eram provenientes de outros estados e uma não informou o local de origem. Dos atendidos, 42 estão na faixa etária dos 18 aos 30 anos. Outras 20 pessoas têm entre 31 e 40 anos.

A dependência química atinge 72 das 92 pessoas. Outras cinco pessoas são dependentes químicas e têm transtorno mental, três são dependentes químicas e têm deficiência física, dez necessitam de abrigo, documentos ou de auxílio para retornar à cidade de origem, um é deficiente mental e um não forneceu informações.

Os atendidos foram encaminhados para órgãos como o Serviço de Atendimento ao Migrante, Itinerante e Mendicante (Samim), o Serviço de Acolhimento e Referenciamento Social (Sares), o Centro Público de Apoio ao Trabalhador (Cpat), a Casa de Cidadania para Recâmbio para Municípios de Origem, Casas de Apoio, a Cidade dos Meninos, o Centro de Referência e Saúde Integral à Saúde do Adolescente (Craísa) e o Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Além da Secretaria de Assistência Social, participaram das ações o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Guarda Municipal (GM), o Conselho Tutelar, a autarquia Serviços Técnicos Gerais (Setec), a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e as polícias Militar e Civil.

Ampliação

Na semana passada, a Prefeitura de Campinas anunciou que o programa Tolerância Zero será estendido a todo o município. Para sua ampliação, porém, as instituições envolvidas terão de fazer um levantamento identificando todos os pontos a serem combatidos, assim como sua localização, segundo o coordenador do programa, o secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Carlos Henrique Pinto.

Além de estabelecimentos comerciais, a Prefeitura pretende fiscalizar antenas de telefonia móvel e de transmissão de dados para regular os equipamentos, conforme previsto em lei municipal.
Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: Correio Popular