No futebol, esse crack não!

Veja o efeito do crack no organismo
Ao admitir o uso, Jobson revela que droga devastadora preocupa o futebo.

Ao confessar o uso de crack, na terça-feira, o atacante Jobson estarreceu o meio esportivo e abriu um novo capítulo na relação entre atletas e o vício. A droga que até poucos anos era considerada vício de moradores de rua chegou à classe média e, agora, bate a porta dos vestiários. É a primeira vez que um jogador de um grande clube de futebol do Brasil admite ser dependente da substância, a mais potente e destruidora para o organismo.
Apesar de incompatíveis com o futebol, casos de dependência em álcool, cocaína e maconha não são novidade. Mas o uso de crack por um atleta de alto rendimento espanta até médicos especialistas no assunto. O psiquiatra Arnaldo Madruga, que há 20 anos trabalha com esportistas dependentes químicos, explica que a substância é um adversário quase imbatível dentro das quatro linhas.

– O usuário de crack perde coordenação motora, capacidade de concentração e vigor físico. Não consegue fazer bem o que faz uma pessoa normal. Por isso, é quase impossível ser usuário contínuo e jogar futebol – observa o médico, conhecido por ajudar na recuperação do ex-jogador Reinaldo, ex-Atlético-MG e Seleção.

Maurício Assumpção garante apoio a Jobson
Em seu depoimento ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o atacante do Botafogo na temporada passada afirmou consumir crack desde 2008, mas não detalhou com qual frequência. O médico Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, uma das maiores autoridades no assunto, não acredita que o atacante usasse a substância regularmente.

Nos casos de uso de crack, observa, é raro ter consumidores esporádicos porque a droga costuma viciar já nas primeiras tragadas.

– Ele não apresentava queda de rendimento. Pelo contrário. Talvez estivesse compensando o estrago no organismo com um bom preparo físico. Isso seria raro na medicina, mas não podemos descartar.

Jobson deverá ser internado pelo Brasiliense – dono de seus direitos econômicos – em um clínica para dependentes químicos.

Opinião do especialista em drogas, Arnaldo Madruga

LNET!: O crack pode afetar o rendimento de um jogador?
Arnaldo: Só para pior. O crack é uma droga violenta, devastadora. Pessoas que usam crack geralmente param com suas atividades normais. A pessoa fica completamente dominada, com a vida transformada.

LNET!: Quais são os prejuízos físicos?
Arnaldo: O usuário fica muito debilitado. A droga altera as funções neurológicas, interfere no raciocínio e na coordenação. Também provoca prejuízos à respiração e ao coração. Uma das consequências é a perda da capacidade respiratória.

LNET!: O crack pode ser visto como uma ameaça ao futebol?
Arnaldo: O crack é um problema grave para o país, um caso de saúde pública. Qualquer droga é danosa ao esporte. Além dos problemas físicos, o usuário não consegue manter a disciplina para a prática espor tiva.

LNET!: O senhor, que há muitos anos acompanha atletas com dependência química, sabe de outros casos de jogadores que usam crack?
Arnaldo: O caso do Jobson é o primeiro de um jogador de visibilidade que vem à tona, mas tenho atendido atletas de menor expressão com problemas com o crack.
Fonte:Lance!Net-Mauro Graeff Júnior, Rio de Janeiro
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas