“A pena não é só dele, é da família”, diz pai que entregou filho viciado em crack

“A pena do Bruno não é só dele, é dele e da família”, disse nesta quinta-feira (21) o produtor cultural Luiz Fernando Prôa, enquanto aguardava o início da audiência em que seu filho, Bruno Kligierman, de 26 anos, será ouvido sobre o assassinato da jovem Bárbara Calazans, 18, estrangulada em outubro de 2009. Na época, o caso chamou a atenção da opinião pública após o próprio pai entregar o filho, viciado em crack, à polícia. Segundo ele, além do vício, o filho sofre de esquizofrenia.

“Se não fosse o crack, não teria chegado aonde chegou, não teria aquele motivo que fez a doença evoluir”, disse Luiz Fernando, no corredor do Tribunal de Justiça do Rio. “Eu entrego na mão de Deus, ele é que sabe o que aconteceu de fato, e ele que é o maior julgador. Espero que seja feita a Justiça e que meu filho seja considerado o que é, doente mental, que misturou substâncias, tarja preta, com crack, com álcool, e junto com a loucura dele cometeu um ato insano”.

Não vou desistir do meu filho e é muito doído isso. Quero usar esse caso para a gente alertar para o risco. O crack é a pedra da morte”
A audiência – que será presidida pelo juiz Fabio Uchôa – estava marcada para as 15h desta quinta, mas começou por volta das 17h45. Segundo o advogado de defesa, Rafael de Pinho Camargo, pelo menos 11 testemunhas serão ouvidas, sendo sete de defesa, entre amigos e parentes. Bruno, que já está na carceragem do tribunal, será o último a ser ouvido.

Segundo seu pai, ele está há 90 dias sem consumir drogas, internado num hospital de custódia e tratamento no complexo penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio, que trata de dependentes químicos. Antes do crime, ele já havia sido internado quatro vezes.

“Estou dois dias por semana indo a Bangu, não vou desistir do meu filho e é muito doído isso. Quero usar esse caso para a gente alertar para o risco. O crack é a pedra da morte mesmo”, desabafou o pai.

Segundo o advogado, já foi pedido um exame de sanidade mental para atestar se Bruno sofre ou não de esquizofrenia.

“A gente está dependendo de um exame de sanidade mental que foi pedido para ele, porque ele exibe sinais de esquizofrenia bastante evidentes, ao longo de todo histórico de vida. E caso ele seja considerado inimputável, seja pela questão da `drogadição´ ou seja por causa dessa doença, seja pelas duas coisas em conjunto, ele seria absolvido de maneira imprópria, e iria para tratamento, receberia uma medida de segurança”, explicou o advogado, acrescentando que nesse caso a pena seria cumprida num hospital psiquiátrico.

O exame, no entanto, pode levar até 45 dias para ser realizado. Em uma próxima audiência, o juiz deve decidir se Bruno será julgado ou não por júri popular.

Ainda segundo o advogado, Bruno não se lembra do momento exato em que o crime foi cometido.

“Ele sempre teve ao longo da vida uma série de lapsos de memória. Não sei se por causa da questão da `drogadição´, ou se por causa da doença psiquiátrica, o momento em si do crime ele não lembra. Ele disse que só pode ter sido ele, ele estava sozinho no apartamento, ele não está tentando se esquivar, mas ele diz que não lembra de fato dos acontecimentos desse momento crucial”.
Fonte:G1/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)