Conselho Tutelar atende 480 jovens drogados por ano

A noite de sexta-feira é ideal para curtir com os amigos. Entre um bate-papo e outro, um copo de cerveja, e a balada continua madrugada afora. No meio da animação, alguém oferece um cigarro de maconha, uma carreira de pó ou uma pedra de crack. Muitos, movidos pela curiosidade ou querendo perder a timidez, não resistem à tentação e experimentam. MN, hoje com 17 anos, cedeu à oferta de um amigo e fumou maconha. “Ele falou que eu ia ser maior que os outros, que dava loucura, que não ia ter vergonha de nada, não ia ter medo de roubar. Nunca imaginei que ia virar um vício. Pensei que ia fumar de vez em quando, só em festa. Depois da maconha, já caí na cocaína e cheguei no crack”.

Quando fumou pela primeira vez tinha 15 anos. Um ano depois, estava viciado. Aos 16, precisou ser internado numa fazenda para dependentes de droga e álcool (leia mais no apoio). MN não é um caso isolado em Franca. Em 2009, o Conselho Tutelar atendeu 480 adolescentes envolvidos com drogas. O conselheiro tutelar Lucas Verzola acredita que a cada dez atendidos, sete apresentam algum grau de dependência e precisam de ajuda especializada. “A maioria dos menores que atendemos não estava consumindo drogas eventualmente, mas faz uso frequente delas”, disse ele.

No comparativo com 2008, o número de ocorrências de menores envolvidos com drogas se manteve. Foram 483 casos naquele ano. Mas a porta de entrada para o consumo de maconha, cocaína e crack cresceu muito de um ano para o outro. Em 2009, o Conselho Tutelar flagrou 240 menores bêbados em Franca, 56% a mais que em 2008, quando foram feitos 154 atendimentos. A maioria dos meninos tinha entre 14 e 17 anos, mas os conselheiros tutelares encontraram até crianças de 12 e 13 anos embriagadas.

Além de boates, shows e festas, também consumiam bebidas em bares, na porta das escolas e em suas próprias casas, principalmente as de famílias que vivem na periferia, em bairros como City Petrópolis, Miramontes, Aeroporto e São Luiz. “Vizinhos e a própria polícia denunciam os casos para o Conselho Tutelar. É muito comum os menores estarem em pracinhas também, normalmente tomando cerveja e vodka”, disse o conselheiro.

Para Lucas Verzola uma das razões do aumento no número de casos flagrados é o trabalho conjunto do Conselho Tutelar com a Polícia Militar que intensificou a fiscalização em boates e festas no ano passado. “A pedido do Juizado da Infância e da Juventude ou quando somos acionados pelos policiais, fazemos blitze em boates, onde sempre encontramos menores bebendo e usando drogas”.

EM RISCO

Dos 240 menores embriagados atendidos durante 2009, um foi socorrido na madrugada do dia 26 de maio. O adolescente de apenas 13 anos foi encontrado por policiais no meio da rua, no Parque dos Pinhais, embriagado. O menino não conseguia sequer falar. Estava entrando em coma alcoólico e acabou socorrido para o Pronto-Socorro “Doutor Janjão”.

No mês seguinte, em junho, outro problema envolvendo adolescente e álcool. Um aluno de 16 anos foi encontrado bêbado pela professora numa escola do Jardim Dermínio. Ele tinha tomado uma garrafa de vinho sozinho dentro da sala de aula.
Fonte:Comércio da Franca/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)