“Por causa da droga, se precisar matar, você mata”

MR tem três irmãos. É o segundo filho do primeiro casamento. Vive com a mãe, o padrasto e os irmãos na região leste de Franca. Quando a mãe soube que era usuário de drogas, falou para ele escolher entre se tratar ou fazer as malas e ir embora de casa. Ele preferiu a primeira opção. Deve “ter alta” do Narev em fevereiro, quando pretende retomar os estudos (parou na 8ª série) e conseguir um emprego.

Comércio da Franca – O que levou você a usar drogas?
MN – Não foi por causa da família porque minha mãe sempre me deu o que quis, na medida do possível. Foi má companhia. Se você estiver com uma pessoa que mexe com drogas e você não mexe, uma hora você cai na droga, não resiste.

Comércio – Por que decidiu se tratar?
MN – Estava em depressão, sem o dinheiro da droga, acabando com os móveis da minha mãe, roubando o dinheiro que ela ganhava trabalhando. Já estava viciado. Quem fala que maconha não dá nada, está enganado. Aprendi no Narev que a bebida também puxa todo tipo de droga porque se você bebe o álcool, já fica tonto, mas vai atrás de cocaína, maconha, crack. Tive começo de overdose. Meu coração estava a 150 de batimentos e aquele dia foi muito sofrido para mim e minha família. Já estava com medo de ficar com sequela no corpo, ter derrame. Resolvi buscar ajuda.

Comércio – Qual alerta você faz para as pessoas?
MN – Quero falar para as mães ficarem de olho nos filhos que chegam brutos em casa porque as atitudes do filho mostram se ele está usando drogas. Chegava bruto quando acabava de usar drogas ou não tinha dinheiro para comprar. Por causa da droga, você faz de tudo, se precisar matar, você mata.
Fonte:Comércio da Franca/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)