Terreno perigoso

A famosa marcha em favor da liberação da maconha no Brasil, encetada no centro do país e que contou até mesmo com a participação do ministro do Meio Ambiente, vem sendo defendida por alguns que entendem como necessária a liberação para o consumo dessa droga, sob alegação de que a sua liberação fará, naturalmente, com que exista uma redução dos índices de criminalidade, especialmente no que diz respeito às ações armadas.

Dizem seus defensores que a proibição do consumo da planta está diretamente ligada ao tráfico de armas e do produto, que entra no país através de nossas fronteiras ou secamento e preparação em áreas rurais do próprio Brasil. Entendem que a liberação, através de lei que controle o seu uso, poderá fazer com que, especialmente a juventude consumidora, se mantenha fiel a essa erva, deixando de lado drogas mais pesadas, como o crack, a cocaína, a Merla e outras.
Esquecem, no entanto, que no Brasil, diferentemente de outras nações que liberaram o consumo (13 países no mundo) existem bons hospitais, com especialização para tratamento e recuperação de drogados, além de um sistema de fiscalização rígido, no que diz respeito à entrada de drogas mais pesadas e, no Brasil, o que temos?

Deve-se também levar em consideração que existe o tráfico de armas e os índices de criminalidade contam com uma alta percentagem de crianças e adolescentes que, desde cedo, são levados ao consumo e servem como “laranjas” na comercialização do produto. A maconha, juntamente com o álcool, assim entendemos, foi, é e continuará sendo a porta de entrada para outros produtos mais graves, além do que a liberação para consumo não implicará o fim do traficante. Ao contrário, fará com que o crime organizado aumente a pressão sobre a juventude para as outras drogas, considerando a redução da renda auferida.

Tem gente que está correndo na contramão, justamente num momento em que se busca promover a conscientização da juventude para os perigos dos psicotrópicos e do álcool, e surgem como defensores da liberação da maconha e certamente amanhã poderão estar forçando campanha, também, para o livre consumo de outras drogas.
Fonte:Jornal Agora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)