Pitico é caminho para o crack

Subestimando a capacidade do crack de escravizar quem o experimenta, usuários estão misturando farelos da pedra à maconha. Conhecido como pelezinho, pitico ou mesclado, o cigarro tem sido montado pelos próprios consumidores longe das bocas de fumo.

Em busca de uma sensação diferente da experimentada com o uso da maconha, adolescentes estão misturando crack aos cigarros. A combinação provoca alucinações, excitação e perda de percepção, podendo levar a quadros depressivos e a problemas neurológicos, respiratórios e cardíacos.

– A sociedade tende a minimizar os danos da maconha ao usuário. Isso é um erro que pode estar criando a percepção, entre jovens, de que o pitico não é nocivo – avalia a psiquiatra Vilma Rodriguez, que acompanha dependentes químicos em tratamento no Hospital Parque Belém, na Capital.

Veio da investigação policial o primeiro indício de que são os próprios usuários que fazem a mescla de drogas. Conforme o delegado Márcio Zachello, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), o pitico é geralmente apreendido com o usuário.

– Não é uma combinação muito comum de se apreender. Mas quando isso ocorre, o usuário relata que foi ele quem montou – revela o policial.

Venda disfarçada da droga preocupa especialistas

Para o psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e outras Drogas, a combinação das drogas está por trás de parte dos casos de dependência de crack. Conforme ele, o pitico é uma mistura intermediária:

– Parece ser uma forma de iniciação aparentemente de menor risco para o crack, o que é um engano. O pitico amplia o mercado para o crack entre os que já gostam de maconha.

Outra preocupação dos médicos é a de que o pitico seja usado como ardil para viciar em crack novos consumidores. O psiquiatra Guilherme Vollner, do Hospital Mãe de Deus, teme pelo assédio próximo a escolas.

– O traficante acaba se aproveitando da curiosidade de adolescentes. Vende o cigarro como se fosse apenas maconha. O usuário vai se tornando tolerante e usa cada vez mais.
Fonte:Zero Hora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)