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Dez carnavais para apagar

Um exército de 1.388 policiais rodoviários estaduais e federais será colocado na fiscalização para evitar a repetição de uma história trágica que se reproduz nas estradas a cada Carnaval. Entre 2000 e 2009, 205 gaúchos perderam a vida por uma fatalidade nas vias que atravessam o Estado. Nesta reportagem, Zero Hora mostra o que está sendo feito e os cuidados que os motoristas podem adotar para que o feriado de 2010 tenha histórias mais alegres para contar.

Vinte pessoas podem morrer no trânsito gaúcho entre amanhã e quarta-feira – a julgar pela média dos últimos carnavais. Foram pelo menos 205 mortos nas ruas e rodovias do Rio Grande do Sul em uma década, de 2000 a 2009, durante os dias que deveriam ser de alegria, conforme levantamento de Zero Hora que leva em conta o período das 12h da sexta-feira às 12h da Quarta-Feira de Cinzas. Isso significa que cada dia de feriadão custou quatro vidas nas estradas do Estado ao longo dos anos 2000. Para tentar reverter essa tendência, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Comando Rodoviário da Brigada Militar prometem força total no feriadão: um exército de 1.388 homens para evitar a carnificina.

Felizmente, o comportamento no trânsito não é uma ciência exata, e os gaúchos podem contrariar a estatística com facilidade. Vinte pessoas vão deixar de morrer e 20 famílias deixarão de ter seu Carnaval transformado em tragédia se cada motorista do Rio Grande do Sul, ao pegar a estrada no feriadão, assumir o compromisso de respeitar os limites de velocidade, não ultrapassar sem condições de segurança, obedecer à sinalização e não consumir bebida alcoólica antes de dirigir. Se os condutores não tiverem essa atitude, no entanto, a mortandade pode até ser bem superior à estimada. No feriadão de 2002, o mais sangrento do decênio, as vítimas de acidentes chegaram a 37.

– É uma mortandade absurda, que infelizmente tem se repetido ano a ano. As razões principais são o abuso e o desrespeito ao bom senso – afirma José Altair Benites, superintendente regional da PRF.

Mais rigor na ida para a praia

As ultrapassagens em local proibido ou sem condições de segurança aparecem nos levantamentos da PRF como uma das maiores causas de mortes. Na terça-feira, por exemplo, houve duas mortes em rodovias federais do Rio Grande do Sul. Ambas ocorreram por colisão frontal – o que significa que um dos condutores tomou a pista contrária para fazer uma passagem. As ultrapassagens são letais porque, na colisão, somam-se as velocidades dos dois veículos, o que multiplica a gravidade dos ferimentos.

Para coibir os acidentes no feriadão, a PRF suspendeu folgas e dobrou escalas de trabalho. Terá nas rodovias 600 agentes, 80 bafômetros e 28 radares. O Comando Rodoviário começa às 18h de hoje a Operação Carnaval, com 40% de reforço nos efetivos e nos equipamentos. Vão ser 788 homens, 65 bafômetros e 70 radares focados no combate às três principais causas de acidente: consumo de álcool, excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas. Será feito um trabalho especial nas rodovias que ligam as praias, durante o horário de bailes e festas.

– Nossas recomendações são que todos os ocupantes do veículo assumam a responsabilidade pela segurança da viagem, não permitindo que o motorista dirija se houver bebido ou se estiver agindo com imprudência. Também pedimos que usem o 198, o telefone de denúncias para condutas indevidas nas rodovias – aconselha o coronel Edar Borges Machado, comandante do Comando Rodoviário.

11,2 mil multas no ano passado

Os dados do ano passado confirmam a falta de respeito às regras básicas de segurança no trânsito. Durante o feriadão, a PRF e o Comando Rodoviário da Brigada Militar multaram 11.209 motoristas – 8.882 deles por excesso de velocidade. Alguns casos foram tudo o que se deve evitar neste ano. Na manhã da Quarta-Feira de Cinzas, um Xsara Picasso foi surpreendido por um radar a 172 km/h na freeway. Não foi a velocidade mais irresponsável do feriadão. Na véspera, a PRF já havia multado na BR-290, em Pantano Grande, um motociclista a 173 km/h.

Diza Gonzaga, da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, observa que o Carnaval sempre é uma das maiores preocupações da instituição, que se dedica a evitar mortes no trânsito. O risco aumenta por causa do elevado consumo de álcool durante os festejos.

Para prevenir mortes, voluntários da fundação percorrerão os bailes do Estado realizando blitze e promovendo testes educativos com o bafômetro. Quem estiver alcoolizado receberá um adesivo vermelho, com os dizeres “Tomei todas, quero carona”. Os sóbrios ganharão um adesivo verde, que informará “Carona segura, estou de cara limpa”.

– Quem transporta ou está na direção não pode beber. Não tem esse direito, porque coloca a sua vida e a dos outros em risco.
Fonte:Zero Hora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)