Vinho feito em abadia é símbolo de alcoolismo na Escócia

Pesquisa feita em 2009 com 172 detentos da Escócia mostra que 117 deles beberam álcool antes de cometer crimes. Desse total, 43% ficaram bêbados com o vinho doce Buckfast.

Em Strathclyde, uma região de população pobre, esse vinho foi citado em 5.638 registros de crime entre 2006 2009. Em 114 desses casos, a garrafa foi usada para a agressão.

Por causa de informações com estas, o vinho fabricado por monges beneditinos em uma abadia britânica se tornou na Escócia o símbolo do alcoolismo, que é, lá, um dos maiores problemas de saúde pública.

Quem toma em excesso o vinho dos monges fica rapidamente bêbado e eufórico por causa de sua receita.

Envasado em garrafa de 750 ml, ele tem 15% de teor alcoólico, acima da maioria dos vinhos, e é tonificado por cafeína cuja quantidade corresponde a de oito latas de Coca-Cola. Um dos apelidos do Buckfast é “suco derruba-casa”.

Um distribuidor afirma existir uma campanha injusta contra o vinho, porque as vendas do Buckfast representam só 1% do mercado de bebidas alcoólicas da Escócia.

Mesmo assim, de acordo com um relatório do governo escocês, o Buckfast é considerado por uma parcela da população como prejudicial à saúde, além de incentivar o crime.

Os monges evitam rebater essas informações talvez para não chamar mais a atenção da imprensa.

No rótulo do vinho há uma inscrição que, dado o contexto, soa como irônica. É a de que o Buckfast tem “propriedades medicinais”.

Na charge da imprensa escocesa, homem chuta monge que contribui para o consumo de álcool
[Com informações do News York Times]
Paulo Lopes – Webblog
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas