Espaço para dependentes químicos na Paraíba

Aos 41 anos, Eduardo Pereira de Brito já é aposentado em virtude de problemas psiquiátricos causados pelo uso abusivo do álcool. O hábito começou quando tinha apenas 16 anos. “Cheguei a tentar suicídio, me afastei da família, perdi a saúde. É muito difícil porque você não tem controle”. Há doze meses, no entanto, ele começou a comemorar uma vitória diária contra a dependência, e sua força de vontade tem feito com que se recupere aos poucos. “Ninguém deve se deixar levar pela euforia causada pela bebida. Ela não traz nada de bom, só perdas”.

E ele tem razão. As consequências do uso do álcool e outras drogas são devastadoras nos aspectos pessoal, familiar e social, o que tem levado muitos usuários a procurarem socorro em órgãos de saúde. Para se ter ideia, 70% dos 500 atendimentos realizados por mês no Pronto Atendimento de Saúde Mental (Pasm) são de usuários de álcool e drogas. Para o autônomo Irinaldo Francilino, 42, os problemas decorrentes do excesso de álcool, que começou a ingerir aos 23 anos, ainda são reais. “Perdi minha mulher e estou longe dos meus três filhos, mas pretendo me tratar e ter minha família de volta. É muito ruim viver desse jeito”.

Pensando em pessoas como Eduardo e Irinaldo, a Prefeitura criou o Centro de Atenção Psicossocial/Álcool e outras Drogas – AD (Caps) David Capistrano Filho, inaugurado ontem no bairro do Varjão. A partir de hoje passa a atuar no pronto atendimento a adultos com transtornos mentais decorrentes do abuso de drogas. No local, das 8h às 17h, a expectativa é atender 45 usuários por dia. Eles contarão com uma equipe de profissionais formada por dois psicólogos, assistente social, farmacêutico, enfermeiro, educador físico.

A diretora da unidade, Girlene Queiroz, disse que os pacientes contarão com atendimento individual. A família dos usuários também receberá atenção e acompanhamento para aprender a lidar com a situação. Nos casos em que houver necessidade, será feita visita domiciliar e apesar de não oferecer internamento, os pacientes contarão com três leitos para observação e desintoxicação. A meta é que o local se torne referência para usuários em tratamento de toda João Pessoa, mas para que o serviço seja realizado é necessário que o paciente queira se tratar. No Caps serão atendidas apenas pessoas maiores de 18 anos.

Muitos pacientes que apresentam transtornos psiquiátricos moderados e leves são internados sem necessidade. “Com este Caps, estas pessoas poderão receber acompanhamento específico e voltam para casa”, disse o promotor do Cidadão, Valberto Lira. O prefeito Ricardo Coutinho (PSB) lembrou que este é o segmento de uma política que determina uma proposta de reforma psiquiátrica. “Estamos procurando desospitalizar, abrindo serviços ambulatoriais para essa população. Pretendemos mapear e diagnosticar o problema da dependência ao álcool e drogas, ao mesmo tempo em que iremos promover a expansão de futuros serviços”.
Autor: Lucilene Meireles
OBID Fonte: O Norte