Festas regadas a álcool atraem adolescentes

Um movimento de adolescentes com idades entre 11 e 14 anos e que combinam encontros pela Internet, tem provocado aumento no número de atendimentos médicos por bebidas alcóolicas em Hortolândia. Grupos de até 500 jovens se reúnem em praças da cidade para consumir álcool e drogas, além de praticar sexo. Os encontros incomodam os vizinhos dos locais e desafiam as forças de segurança.

O número de atendimentos na rede pública de saúde por excesso de bebidas entre adolescentes neste ano já se iguala ao total do período de 2009. O Conselho Tutelar foi acionado 12 vezes pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). Na tarde de ontem, os conselheiros foram chamados ao Posto de Saúde do Jardim Rosolen para acompanhar um menino de 12 anos em coma alcóolico. A família disse acreditar que o garoto estava na aula. O conselho acredita que o caso está relacionado aos encontros e vai analisar se houve negligência dos pais. O menino teve alta na tarde de ontem.

Os encontros são agendados pelo site de relacionamento MEADD, abreviação que significa “me adicione”, em menção aos programas de relacionamento virtual. Uma adolescente de 14 anos ouvida pela reportagem explicou que as reuniões surgiram para que os jovens trocassem endereços de e-mail. Segundo a garota, que esteve em dois encontros, os participantes permanecem com o endereço virtual pendurados em partes do corpo.

“Parei de ir aos encontros porque vi muita coisa errada. Eles consomem muita bebida e fazem ´baderna´”, contou. Vizinhos de uma pista de skate no Jardim do Bosque, ponto de encontro usado pelo grupo, contam que as reuniões chegam a atrair cerca de 300 adolescentes. “Eles ficam dançando, consumindo álcool e drogas. Tomam vinho e vodka em muita quantidade”, conta o vendedor Paulo César Ferreira, 25, que mora em frente à praça. “Já vimos criança tendo convulsão de tanto beber”, garante.

O Conselho Tutelar confirmou denúncias de encontros MEADD com até 500 jovens. “Eles fecham as ruas e fazem de tudo: usam drogas, mantém relações sexuais e abusam do álcool”, relata o conselheiro Renato Bueno Franceschini. Segundo ele, uma professora ouviu de um menino de 10 anos que ele já havia frequentado o encontro.

O aumento das festas de MEADD em Hortolândia levou o Conselho Tutelar a convocar uma reunião com polícias Civil e Militar, Guarda Municipal e o setor de Fiscalização da prefeitura no ano passado. As instituições foram notificadas e houve uma instrução para coibir a reunião de jovens com intensificação de rondas e fiscalização. “A polícia tomava a praça, antes do começo das festas”, conta o conselheiro. De acordo com ele, o aumento no número de casos com bebidas – que, segundo ele, tem relação direta com as festas – mostram que há necessidade de retomar as ações.

Para a psicóloga do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) Infantil de Campinas, Eleida Regina Campos de Faria, que trabalha há dez anos com adolescentes, o município precisa se responsabilizar com ações diretas aos adolescentes. “Não é só a questão do álcool. É preciso criar políticas para esses jovens porque na maioria das vezes as drogas são só uma questão que permeia uma família que não está dando conta, ou uma criança vítima de agressão”, aponta.
Fonte:Todo Dia/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)