“Drogas, a nova realidade”

por Sérgio de Souza Tôrres

Em ambos os casos, o que sustenta essas atividades é o hábito cultural permissivo e transgressor de usar as drogas lícitas ou ilícitas como estimulantes, relaxantes ou alucinógenos em situações de estresse ou euforia, tipo festas, shows, comemorações etc.

A solução, pois, seria tratar os doentes e desestimular educativamente o uso pelos consumidores consensuais. A liberação pura e simples iria transformar o Brasil num paraíso mundial para usufruto destes e das gangues internacionais, trazendo a reboque todos os ilícitos associados, como prostituição, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, pirataria, e até terrorismo, com o país virando alvo de rejeição internacional como uma espécie de Irã fomentador do crime.

Imaginar que a produção e a comercializaçào das drogas poderiam ser realizadas sob rigoroso controle do Estado é ilusão que só acomete os que não conhecem o nosso país. E mesmo que num passe de mágica nos transformássemos numa Suíça idílica, a atividade clandestina e o contrabando vicejariam com a mesma força e os mesmos agentes do narcotráfico atual.

A droga sempre foi usada pela humanidade como “solução” para as angústias existenciais insuportáveis ou como fonte de pazer. Apelar para a abstenção consciente desse uso é ilusão. Proibir dá no que temos. Qual a solução? Não tem…
Fonte:O Globo Online/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)