Estresse pós-traumático: álcool contribui para flashbacks dos eventos estressantes

Pessoas que por algum motivo haviam consumido álcool nos momentos anteriores a um evento traumático mostraram ter mais recorrências de flashbacks do que as que não haviam ingerido nada, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade College London. Esses resultados podem ajudar a entender por que alguns indivíduos desenvolvem o transtorno de estresse pós-traumático após determinados eventos e outros não.

Publicado no periódico Biological Psychiatry, o estudo afirma também não ter encontrado diferenças entre aqueles que haviam ingerido uma pequena quantidade de álcool e os indivíduos que haviam excedido na bebida, ou seja, independentemente da quantidade de álcool ingerida, o estresse pós-traumático se mostrava presente.

“Muitas pessoas que passaram por eventos traumáticos, como acidentes de trânsito, haviam consumido bebidas alcoólicas. Essa pesquisa nos dá uma ideia de como o álcool contribui, de alguma forma, para nosso bem-estar em longo prazo”, diz James Bisby, autor principal do estudo.

Os pesquisadores afirmam que o álcool afeta dois tipos de memória: uma é a chamada memória descrita como “egocêntrica”, relacionada a eventos visuais em primeira pessoa, e que sob efeito do álcool produziria “fotografias” do evento. Outro tipo de memória afetada seria aquela ligada à representação mental do contexto do evento, ou seja, independente do ponto de vista (visualidade) original da pessoa que sofreu o acidente, por exemplo.

Os autores sugerem que nas pessoas que passaram pelo evento estressante essas memórias são menos efetivas, mas naqueles indivíduos que ingeriram álcool elas se fazem mais presentes. Isso acaba permitindo que as memórias “egocentradas” sejam revisitadas, por meio dos flashbacks. Naqueles indivíduos que haviam bebido grandes quantidades de álcool, o suficiente para perderem a consciência dos eventos, as memórias do evento se mostraram inconstantes e no geral podiam não ter nenhuma recorrência do acontecimento, apenas imagens isoladas.

Mas quanto a essa última afirmação, os pesquisadores são cuidadosos. “No caso dessas pessoas que exageraram na ingestão de bebidas alcoólicas, o que pode acontecer é que elas podem esperar ter passado pela pior das catástrofes, fato que em si levaria a uma situação de estresse imenso e que poderia alterar o modo como o cérebro trata essas informações”, dizem.

Agora os pesquisadores tentam ampliar os dados da pesquisa para examinar como exatamente o álcool age na química da memória durante esses eventos traumáticos.
Autor: University College London
OBID Fonte: UOL CIÊNCIA E SAÚDE