Alcoolismo feminino

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta que 10,5% das mulheres brasileiras consomem bebidas alcoólicas em excesso. Os dados, que foram obtidos por meio da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), mostram que os números de 2008 superam os registros dos anos anteriores, quando os indicadores não chegaram aos 9%.

Para Adriano Alves, diretor da Central Terapêutica, o aumento no número de mulheres que sofrem com o problema do alcoolismo ou dependência química também está ligado às transformações sociais que aconteceram ao longo das ultimas décadas. “Hoje as mulheres não apenas conseguiram igualdade em questões positivas como o espaço no mercado de trabalho, o respeito a seus direitos e a independência financeira, mas também acabaram se igualando no que se refere ao consumo de álcool e drogas”, esclarece.

Embora a incidência do alcoolismo seja maior entre os homens, que atualmente representam 2/3 dos casos no país, o crescimento dos registros de abuso alcoólico pelo público feminino é preocupante. As mulheres desenvolvem problemas de saúde relacionados à bebida com mais facilidade do que as pessoas do sexo oposto, mesmo consumindo menores quantidades de álcool por um período de tempo mais curto.

Além da predisposição para adquirir doenças como hepatite, cirrose, hipertensão, cardiopatias, pancreatite, câncer na boca, garganta, cordas vocais e esôfago, que são comuns aos dependentes de álcool, elas ficam mais suscetíveis ao câncer de mama e distúrbios emocionais.

“O motivo é que em nossa sociedade prevalece o mito de que o alcoolismo é sinônimo de fraqueza moral. Para a mulher, isso representa o comprometimento de seu papel como mãe e esposa. Por isso é tão difícil admitir que precisa de ajuda, o que só faz piorar a situação”, explica.

CONSEQUÊNCIA. Mas não só quem faz a ingestão excessiva do álcool corre riscos de saúde. Algumas crianças nascem com anormalidades físicas, mentais e comportamentais devido à dependência de suas mães durante a gravidez. “O ideal é que uma mulher grávida nunca beba. Mas se ela tiver dificuldades em se controlar, é melhor que procure auxílio quanto antes for possível”, alerta o diretor da Central Terapêutica.

Alves comenta que o tratamento específico do alcoolismo feminino no Brasil ainda é escasso. “A maioria das clinicas de recuperação atende somente o público masculino e, quando diferente, mistura homens e mulheres no mesmo ambiente”, revela. Ele ainda conta que a presença feminina em grupos de apoio vem aumentando a cada dia, mas que só isso não é suficiente para chegar à abstinência. “É preciso fazer um trabalho mais profundo, abordando questões relacionadas à vida pessoal e familiar, como casamento, filhos, conquistas e derrotas”, detalha.

Como detectar a doença

Perda de controle: a inabilidade frequente de parar de beber uma vez que a pessoa já começou;

Dependência física: a ocorrência de sintomas de abstinência, como náusea, suor, tremores, e ansiedade, quando se para de beber após ter passado um grande período bebendo;

Tolerância: a necessidade de aumentar a quantidade de álcool para sentir-se alto.

Faça quatro questões para si mesma para descobrir se há alguma probabilidade de que tenha problema com o álcool.

– Já sentiu que deveria diminuir a bebida? -Já te irritaram quando criticaram sua bebida?

– Já se sentiu mal ou culpado a respeito de sua bebida?

– Já tomou bebida alcoólica pela manhã para aquecer os nervos ou para se livrar de uma ressaca?
Fonte:Gazeta de Piracicaba/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)