90% dos motoristas não fazem teste do bafômetro em blitze

No ano passado, dos 47,6 mil motoristas abordados nas blitze do programa “Madrugada Viva” 8,5% foram submetidos ao teste.

A informação ajuda a entender um dado revelado em pesquisa encomendada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) para avaliar os efeitos do álcool e de outras drogas no trânsito: 9,2% dos motoristas entrevistados disseram ter sido parados alguma vez para fazer teste de bafômetro. A pesquisa foi feita em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em todas as capitais do país.

No Espírito Santo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) informou que as abordagens para fiscalização da Lei Seca continuam e serão intensificadas. Mas, no ano passado, o número de abordagens caiu: foram 47.659. Em 2008, foram 66.660.

A diretora técnica do órgão, Rosane Giuberti, disse que o procedimento para realização dos testes está dentro do esperado e que os equipamentos não são subutiizados.

“Todos os condutores abordados são fiscalizados. Têm documentos pessoais e do veículos verificados. Caso seja percebido algum sinal, aí o policial realiza o teste. É feita uma amostragem até porque não teria como realizar o teste em todos, não haveria condições de reter os veículos na pista para isso”, explicou a diretora.

O subcomandante do Batalhão de Trânsito Rodoviário e Urbano (BPRv), major Wallace Brandão, também disse que os policiais realizam os testes caso verifiquem alguma anormalidade com o condutor. “Além disso, os policiais são orientados a realizar o teste em caso de acidentes desde que os motoristas não estejam feridos”, explicou o major.

A diretora técnica do Detran ressaltou que é preciso que haja ação conjunta entre os órgãos que fazem parte do sistema de Trânsito no Estado, incluindo os motoristas.“É preciso que a sociedade se envolva na solução, entenda a importância de se mudar a cultura. Os dados da pesquisa do governo federal mostram a necessidade de continuarmos realizando o trabalho que temos feito”, disse Rosane.

Para tentar ampliar as blitze do Madrugada Viva e mantê-las por mais tempo nas ruas, representantes do Detran vão conversar com a Polícia Civil a fim de evitar que policiais que estão na fiscalização não precisem se deslocar e esvaziar os pontos de abordagem.

Fiscalização

147 bafômetros
É o número de aparelhos disponibilizados à PM pelo Detran. A prioridade é para a Grande Vitória, mas alguns foram encaminhados para companhias do interior.

4 mil condutores
Foi o número, aproximado, de condutores que foram submetidos a teste do bafômetro durante blitze do programa “Madrugada Viva”, no ano passado, no Estado.

Dados da pesquisa

– 9,2% dos motoristas disseram ter sido parados alguma vez na vida para fazer o teste do bafômetro

– 4,8% dos motoristas haviam bebido em abordagens feitas às sextas e aos sábados

– Dos motoristas abordados às sextas e aos sábados, após as 23 horas, o percentual dos que foram flagrados dirigindo depois de beber sobe para 7,3%

– Dos motoristas abordados às sextas e aos sábados, antes das 20 horas, o percentual dos que foram flagrados dirigindo depois de beber diminui para 3,3% dos motoristas

– 25% dos motoristas entrevistados beberam cinco ou mais doses no mês da pesquisa

Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

PRF: todo condutor parado nas estradas federais faz exame

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), diferentemente da Polícia Militar, mudou as formas de abordagem e recomendou aos policiais que realizem testes do bafômetro em todos os condutores abordados seja em fiscalizações de rotina seja em operações específicas.

A recomendação é recente e começou a ser repassada no final do ano passado, depois que o governo federal, por meio do Ministério da Justiça, comprou bafômetros para vários Estados, inclusive para o Espírito Santo. Somente a Secretaria Estadual de Segurança (Sesp) recebeu 75 aparelhos no ano passado.

“Nós temos em torno de 30 aparelhos, de modo que cada viatura possa atuar com o equipamento, que também é usado nos postos de fiscalização. A orientação é para que os motoristas sejam convidados a se submeter ao teste. Isso tem uma perspectiva preventiva, caso esteja tudo certo com o condutor, e outra repressiva, se ele for flagrado com algum nível de álcool”, explicou o inspetor Emanuel Oliveira, do Núcleo de Comunicação Social da PRF.

Segundo ele, a ideia é fazer com que o motorista saiba que há o risco de ser flagrado se beber e dirigir, e que isso ajude na educação do condutor e na prevenção.
Do dia 1º de janeiro deste ano até a última segunda-feira, foram realizados 7.458 testes de bafômetro no Estado. Desses, 120 motoristas haviam bebido. O número desse período é mais da metade de todos testes feitos no segundo semestre do ano passado, que chegou a 13.086.

Entenda a Lei Seca

Proibição. Em 20 de julho de 2008, houve uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que definiu tolerância zero para quem fosse flagrado dirigindo sob efeito de álcool

Crime. Quem for flagrado dirigindo com qualquer nível de álcool no organismo paga multa. Se o nível de álcool for superior a 0,3mg por litro de ar nos pulmões, o motorista é levado para a delegacia e deve responder a processo criminal

Recusa. O motorista também pode se recusar a fazer o teste que
constata a embriaguez. No entanto, se isso ocorrer, o procedimento da polícia é levar o condutor para a delegacia

Multa. A multa para quem é flagrado dirigindo sob efeito de álcool é de
R$ 957,60. O motorista também tem a carteira de habilitação apreendida e o direito de dirigir suspenso por 12 meses

Opinião nas ruas

“Acho o número de blitze insuficiente hoje. Antes, dirigia bêbado, sem medo. Num desses dias, de madrugada, bati num poste. O carro ficou destruído, e eu quase morri. Aquele foi o último dia em que bebi”
Julio Cezar Levoni , 36 anos, empresário

“Moro na Alemanha há sete anos. Lá, se uma pessoa estiver de bicicleta, embriagada,
ela também perde pontos na carteira de motorista. A lei é mais rigorosa
e surte efeito”
Fabian Pereira Reis , 38 anos, chefe de cozinha

Torpedos e Twitter ajudam a driblar blitz

As mensagens por celular e computador tornaram-se armas para driblar as fiscalizações da Lei Seca no Espírito Santo e também em outros Estados. No Rio de Janeiro, um perfil criado no microblog Twitter avisa aos seus seguidores onde estão sendo realizadas as blitze.

Um site de compras na internet chega a vender adesivos de apoio aos avisos no Twitter sobre onde é realizada blitz, como informou o jornalista Ancelmo Gois, em sua coluna, ontem.

Segundo o subcomandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, major Wallace Brandão, esses “desserviços” são percebidos nas operações do batalhão.

“Percebemos que depois de algum tempo menos motoristas passam em alguns pontos. Isso também é resultado desses avisos por torpedos, enfim, com o uso dessas novas tecnologias”, explicou o major.

O subcomandante explicou que não há como mudar os pontos das blitze por serem estratégicos, e não há condições operacionais – incluindo falta de efetivo – de alterar os locais das blitze durante a realização dos trabalhos. O Twitter que dedura as blitze da Lei Seca no Rio de Janeiro tem mais de 43 mil seguidores.

“Ações sim, mas sem constranger motoristas”
Uma única abordagem para realizar o teste do bafômetro foi suficiente para a servidora pública Graça Abreu, 40 anos, ficar constrangida. “Foi horrível. Havia ido buscar minha filha em um cerimonial e, quando voltava para casa, fui abordada. O policial enfiou a cara dentro do carro três vezes, insistiu, falando que eu havia bebido. Perguntava se eu tinha certeza de que não havia bebido”, disse. A servidora, então, foi chamada para fazer o bafômetro. “Minha filha e as amigas ficaram nervosas. Mas eu fui lá, fiz o teste e deu zero. Acho que as blitze são necessárias, mas as pessoas devem ser mais preparadas”, ressaltou Graça.
Fonte:A Gazeta/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)