Pesquisa do governo mostra uso de álcool nas rodovias

Os motoristas não profissionais consomem mais álcool quando estão na estrada que os condutores de ônibus e caminhões. Esta é uma das conclusões da primeira pesquisa sobre o tema feito pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e divulgado nesta segunda-feira (22).

Foram entrevistados 3.398 motoristas, no período de 8 de agosto de 2008 a 26 de setembro de 2009, em postos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), distantes, no máximo, 50 quilômetros das 27 capitais.

Dos 3.398 condutores, 1.735 (51%) eram de veículos de passeio; 344 (10%) de ônibus; 337 (9,9%) de caminhão e 982 (29%), motociclistas.

Quando perguntados se haviam bebido no dia da entrevista, 14% dos motoristas de carros de passeio e 14% dos motociclistas responderam que sim. Já, entre os caminhoneiros e condutores de ônibus, a resposta afirmativa foi de 9,6% e 2,4%, respectivamente.

Testes com bafômetros confirmaram as proporções.

Em relação a outras drogas, os motoristas não foram questionados, mas todos foram submetidos a um exame de saliva. Houve 150 resultados positivos, sendo 2,05% para cocaína, 1,5% para maconha e 1,04% para benzodiazepínicos. Das 3.251 amostras colhidas, devido a falta de kits, apenas 1.158 foram testadas para anfetaminas (rebites). Só 14 (1,2%) apresentaram resultados positivo – a maioria entre caminhoneiros.

O rebite havia sido usado por 5,3% dos caminhoneiros cujas amostras foram analisadas, por 0,7% dos motoristas de carro e 0,3%, de motociclista. Nenhum motorista de ônibus foi flagrado com anfetamina. Nenhum caminhoneiro teve resultado positivo para maconha, nem benzodiazepínico. Mas 0,9% deles teriam cheirado cocaína.

Escolaridade

A pesquisa da Senad também chama atenção pela baixa escolaridade dos caminhoneiros entrevistados. De um total de 337, 202 (60%) não haviam concluído o ensino fundamental.

Foram entrevistados 123 caminhoneiros com certificado de conclusão de ensino médio (37%) e somente 9, ou 2,7%, com diploma de curso superior. Já entre os motoristas de carro de passeio, a maior parte tinha curso superior: 764 ou 44%, seguido de 609 (35%) com apenas ensino médio e 361 (20%) só com ensino fundamental.

Já a renda média mensal foi de R$ 2 mil para os motoristas de carro de passeio, R$ 1.500 para os caminhoneiros, R$ 1.200 para condutores de ônibus e R$ 1.000 para motociclistas.
Fonte:Intelog/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)