Tratamento de dependência química inclui tratar da família

No local, vivem a ex-mulher de Arthur Motta Filho e as três filhas. A ex-mulher conta que eram 4h, quando Arthur tentou arrombar a porta.
Segundo ela, ele estava armado com um revólver, calibre 32.

“Ele sempre foi uma pessoa muito violenta. Quando bebia, chegava sempre violento em casa.”, disse a ex-mulher de Arthur. A ex-mulher mostra a mão e diz que levou um tiro de raspão disparado por ele. Há dois sinais de balas nas janelas. Mas ela prefere não falar sobre o que aconteceu dentro da casa, depois do primeiro disparo feito por Arthur.

O que se sabe é que ele foi morto com dois tiros nas costas. Para a polícia, a principal suspeita é a filha mais velha: a advogada Marina Motta, de 25 anos, que está desaparecida.

A polícia ainda não sabe exatamente como o crime aconteceu. Há duas hipóteses: a filha, em uma briga, pode ter tentado tomar a arma do pai e o disparo foi acidental. Ou ela pode ter se aproveitado de um momento de distração dele para pegar a arma a atirar.

“Tudo leva a crer que a filha cometeu esse crime em um momento de desespero para salvaguardar a vida dela ou da mãe, ex-mulher da vitima”, disse o delegado Jorge Campos.

A mãe diz que a filha está abalada, mas consciente de que tentou salvá-la. E que vai se apresentar à polícia. Na delegacia de Porto Real, que fica a 150 quilômetros do Rio, há seis ocorrências contra Arthur, todas registradas por parentes e vizinhos por agressão e ameaça.

No ano de 1987, ele foi internado em uma clínica, por causa do uso de álcool e drogas. “Eu convivi com ele três anos e comigo ele nunca foi agressivo. Não tenho nada a me queixar dele. Ele foi uma pessoa muito boa pra mim”, disse a namorada da vítima, Fabiana Brito de Souza.

Os moradores da pequena Porto Real, onde a família é muito conhecida, estão impressionados com o crime. “A Marina sempre foi uma menina muito doce , muito tranqüila. Ela estagiou na prefeitura. Então, realmente a gente fica surpreso e choca”, disse o secretário municipal de Saúde de Porto Real, Alexandre Serfiotis.

Especialista fala sobre dependência química

A dependência química tem destruído a vida de muita gente. Não apenas quando chega ao ponto de provocar crimes, mas também no dia a dia, com a constante preocupação da família e dos amigos mais próximos.

Para falar sobre o assunto, o Bom Dia convidou a psiquiatra Analice Giglioti, chefe do setor de dependência química da Santa casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Ela destacou que a dependência química é muito sofrida pela família, comparando-a como um câncer na alma, mas há tratamento. “Se você tem uma notícia de câncer na sua família, você sofre, tenta estar próximo da pessoa, que vai lá e se trata. No caso da dependência química, o dependente, que é o doente, procura a doença e se nega a se tratar. Então, a família fica em um estado de impotência e de desespero absurdo. Em muitos casos, a dependência leva a violência”, disse a psiquiatra.

A médica reforçou que quem tem que cuidar de dependência química é um especialista no assunto, por ser uma doença complexa, com vertentes biológicas, psicológicas e sociais. E a família pode ajudar como pode atrapalhar no tratamento. “O tratamento da dependência química inclui tratar da família, que entra num grau de desespero gigantesco. Por exemplo, como dar limites ao dependente, como não facilitar essa dependência”, disse a especialista.
Fonte:RJTV/UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas