Brasil precisa de programas específicos no tratamento dos dependentes químicos, avalia especialista

São Paulo – Faltam programas específicos para o tratamento de pessoas com dependência química no Brasil, disse hoje o chefe da Unidade de Dependência de Álcool e Droga da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeiras, durante seminário sobre o problema do tratamento de doentes químicos, realizado hoje (24) na Unifesp.

De acordo com ele, a rede de atendimento é “genérica” e são os profissionais dos centros de atendimento que decidem como fazer o tratamento. “Qual é o programa para o tratamento de alcoolismo? Qual o programa para o tratamento de usuário de crack? Qual é a estrutura conceitual baseada em evidência? Não tem”, afirmou.

Para o especialista. É o atendimento emergencial que baliza as ações de saúde para o tratamento dos dependentes químicos. “O programa de dependência química que não retenha esse paciente por meses, ou anos, está apagando incêndio. Tem um episódio, a pessoa fica algumas semanas e aí desaparece”.

O número de centros especializados em tratamento de dependência química também precisa ser ampliado, na opinião de Laranjeira. “Mesmo nos Estados Unidos, o acesso ao tratamento não é uma maravilha toda, mas eles gastando alguns bilhões de dólares no tratamento. No estado de São Paulo você tem 57 centros de Atenção Psicossocial (Caps) para 40 milhões de habitantes, então o acesso ainda é restrito”, afirmou.

Para a diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (Nida, em inglês), Nora Volkow, a dependência química deve ser entendida como uma doença crônica e, portanto, tratada de modo continuado. “Os melhores resultados foram obtidos por tratamentos que acompanharam pacientes por cinco anos. É uma uma mudança de paradigma, já que a maioria dos tratamentos só dura três meses ou até um mês”, disse.

Apesar de ser dever do Estado oferecer apoio clínico para que os viciados em drogas possam se recuperar, Nora Volkow ressalta que o dependente também tem uma parcela de responsabilidade pela continuidade e sucesso do processo. “O que se pode fazer é que a pessoa doente seja responsável pela sua doença, conceito que está cada vez mais relacionado para todas as doenças crônicas”, explicou.
Fonte:Daniel Mello – Agência Brasil