Maioria é viciada em álcool

O álcool e a separação conjugal são os principais motivos que levam pessoas a desistir temporariamente da família e viver na rua. Segundo o censo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de 2003, há 13 mil homens, mulheres e crianças nas ruas da capital, dos quais pouco mais de dois mil ficam nas praças da Sé, República e Parque D. Pedro, onde o lixo é mais rico.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Alda Marco Antonio, a maioria dos moradores de rua já perderam a saúde, adquiriram tuberculose, HIV e muitos têm ainda comprometimento mental por causa de álcool e crack. “Pessoas inconscientes levamos para Nova Luz (centro de acolhimento) e Igreja da Achiropita, que têm convênio conosco, para pré-atendimento hospitalar. Lá, tomam banho, colocam roupas limpas e vão para hospital ou pronto-socorro. Fazemos isso sistematicamente. Mas a abordagem com pessoas conscientes é feita só na base da amizade”.

Formado em Ciências Contábeis, Agnaldo Luís Dias, de 47 anos, vive há três na rua, entre idas e vindas. Quando sóbrio, trabalha com artesanato. Começou a fumar maconha aos 8, quando a mãe morreu e o pai o abandonou. “Fui criado por família adotiva e me formei. Mas as drogas me destruíram. Hoje estou abstinente, mas tenho alucinações. Se tomar um gole, passa tudo. Sei que não tem cura porque meu corpo é dependente químico”, diz. As orientadoras sociais Aparecida de Novaes e Rosa Damim contam que, na última vez, levaram 30 dias para convencer Agnaldo a ir para um hospital. “Ele não queria ajuda”, lembra Aparecida.

Ele já tinha feito outros tratamentos, mas os resultados duraram pouco. “Uma vez até arranjei namorada. Fomos a um bar, pedi suco de laranja e, ela, cuba libre. O garçom tirou uma da minha cara e eu, bobo, pedi uma cerveja. Após o primeiro gole não lembro de mais nada.”
Fonte:Diário de São Paulo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)