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Vaidade pode ser razão extra para parar de fumar, segundo especialistas

Nos últimos cinco anos, muitos cirurgiões plásticos americanos se recusaram a operar pacientes fumantes, especialmente aqueles que desejam cirurgias de lifting facial, abdominoplastia ou lifting de seios, procedimentos em que a pele é movida.

Para especialistas da associação americana, se um médico sabe que o paciente estava fumando no período em que passou por uma cirurgia em que a pele é removida, “tal conduta pode ser considerada negligência médica”. Por isso, os cirurgiões plásticos recomendam que se deixe de fumar pelo menos duas semanas antes e duas após a cirurgia, e alguns exijem um período ainda maior. Além disso, alguns cirurgiões plásticos americanos chegam a desenvolver planos para os pacientes deixarem de fumar, prescrevendo medicamentos, recomendando hipnose e grupos de apoio.

Problemas na cirurgia estética

“Deixar o cigarro de lado, além de ser uma ótima medida para a saúde, é uma atitude muito inteligente. Por que investir tanto dinheiro em uma cirurgia plástica, se, após a cirurgia, o paciente não colabora para garantir os melhores resultados?”, questiona o cirurgião plástico Ruben Penteado, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

De acordo com o especialista, a primeira vítima do tabagismo é a aparência do fumante. E a grande vilã da história é a nicotina, que, “além de causar a dependência, tem efeito vasoconstritor na microcirculação sanguínea. Ou seja, reduz o diâmetro dos pequenos vasos, dificultando o aporte de oxigênio e de nutrientes que as células recebem por meio do sangue. Como consequência, a pele perde o viço e começa a envelhecer precocemente”.

A vasoconstrição causada pela nicotina compromete o processo de cicatrização após as cirurgias. Durante um procedimento que envolve o descolamento do tecido cutâneo, há uma natural diminuição da vascularização, por isso, o cigarro potencializa os efeitos negativos na pele. Por essa razão, cirurgiões plásticos americanos estão deixando de operar pacientes que fumam. Além do risco de necrose e gangrena, há possibilidade de abertura da sutura e de a pele voltar a enrugar em razão da menor sustentação dos tecidos. Outro problema é que o tabagismo compromete o sistema respiratório, deixando o paciente mais suscetível a infecções e intercorrências referentes à anestesia, trombose e embolias.

“A maioria das pessoas não sabe que existe uma relação causal entre o tabagismo e as complicações pós-cirúrgicas. Há, de fato, a necessidade de muita educação e divulgação para que as pessoas realmente sejam informadas sobre este fator de risco, que é modificável, por isso mesmo, é tão importante”, defende o médico.

Efeitos do fumo sobre a aparência

– Quando cigarro e sol se juntam, o estrago é muito maior para a aparência. “Estima-se que a pele das pessoas que tomam sol e fumam envelhece dez vezes mais rápido do que a de quem não têm esses hábitos”, afirma o especialista. Isso ocorre porque a exposição solar, da mesma forma que a nicotina, destrói as fibras de colágeno e elastina, apressando o processo de envelhecimento.

– O cigarro destrói a beleza da pele e dos cabelos, pois causa danos a todo o organismo através de sua atuação direta na corrente sanguínea. “Sem a circulação correta de nutrientes, as células não conseguem reter água e vitaminas, a pele se torna flácida, opaca e sem brilho. Os cabelos perdem o viço e ficam ressecados”, diz a dermatologista Priscila Krook.

– Tratamentos estéticos não funcionam para fumantes porque as substâncias tóxicas que são lançadas diariamente na corrente sanguínea estimulam a formação de radicais livres, causando envelhecimento precoce e a formação de rugas. “Os fumantes que se tratam com cremes antirrugas podem não obter os mesmos benefícios constatados pelos não fumantes, pois os efeitos do tabagismo tornam-se crônicos e persistentes com o tempo”, explica a médica.

– Fumo provoca celulite. “O fumo também está associado ao aparecimento de celulite por sua influência na circulação sanguínea e excesso de toxinas, que acabam por propiciar a formação de depósitos de gorduras e, por conseqüência, o temível efeito casca de laranja”, conclui Priscila Krook.
Fonte:Boa Saúde/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)