Dependência antiga

Entre as primeiras drogas com o potencial de viciar está o álcool, descoberto na antiguidade, ou talvez até antes. Naqueles tempos, bebia-se um preparado chamado hidromel, levemente alcoólico. Não demorou muito e surgiram a cerveja e o vinho, quase ao mesmo tempo. Povos primitivos, como os nossos índios, preparavam – e ainda preparam – uma bebida fermentada, para tomar em suas festas. Também usavam alucinógenos em cerimônias religiosas, embora, nesse caso, somente os pajés fizessem uso deles, para entrar em contato com as forças da natureza.

Na Europa, as pitonisas gregas aspiravam um vapor que as levava a um transe, durante o qual faziam profecias supostamente inspiradas pelos deuses. Séculos mais tarde, o contato com o Oriente trouxe para os ocidentais o ópio e o haxixe, que, juntamente com o álcool, formaram milhares de dependentes. A escalada prosseguiu com rapidez cada vez maior durante o conturbado Século 20. Para isso, contribuíram os traumas decorrentes das guerras mundiais e de outras tantas que afetaram a mente e as emoções de militares e civis em praticamente todas as partes do mundo.

Às drogas provenientes da natureza acrescentaram-se os fármacos e compostos químicos, muitos usados inicialmente no tratamento de doenças; e ultimamente, parece que o conhecimento e a tecnologia estão contribuindo para a produção de uma variedade cada vez maior de drogas que alteram a consciência e produzem alucinações ou exacerbam sensações físicas. Seus infelizes consumidores ignoram deliberadamente, muitas vezes, o perigo a que se expõem, que não é só a dependência, mas, cada vez mais, a própria morte.

Psicólogos e médicos tentam explicar por que as pessoas, principalmente as mais jovens, cedem à tentação do vício; pressão social, problemas individuais e familiares, propensão genética – as teorias são muitas e várias, as soluções. Grupos de apoio, terapias diversas, internação: tenta-se de tudo para salvar os infelizes dependentes, hipnotizados por seu vício. Por outro lado, o Estado persegue os traficantes, cada vez mais prósperos, organizados e poderosos. Por isso mesmo, seu sucesso é pífio. E enquanto houver usuários, haverá quem lhes venda todo tipo de veneno.
Fonte:Jornal de Santa Catarina/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)