Mais acesso aos fumantes

Dados recentes divulgados sobre a procura de tratamento antitabaco nos levam a duas reflexões. A primeira evidência – a se comemorar, aliás – é o fato de que é grande o número de fumantes dispostos a deixar o cigarro. Esse indicativo é importante quando lembramos que as doenças decorrentes do cigarro matam, a cada dia, mais de 10 mil pessoas no mundo. Essa estatística coloca o tabagismo na posição de principal causa de morte evitável no mundo: são 4,9 milhões de vítimas fatais por ano.

Por outro lado, quem toma a iniciativa de procurar ajuda para parar de fumar na cidade de São Paulo esbarra em dificuldades na rede pública de atendimento, onde a combinação de alta demanda e poucas vagas reflete em longas e desestimulantes filas de espera.

Esse cenário não é diferente do que encontramos em outras esferas de atendimento relacionadas a doenças graves, que sobrecarregam os serviços de saúde. Mas exige o enfrentamento por meio da ampliação da estrutura de atendimento aos dependentes e também iniciativas no âmbito político, com leis e programas governamentais de combate à problemática, como a aplaudida Lei Antifumo, que proibiu o consumo de cigarros em ambientes públicos fechados em São Paulo, tal como pretende instituir nacionalmente o Projeto de Lei (PL) n.º 315/2008, em tramitação no Senado.

Embora ações como essa tenham como objetivo cortar o mal pela raiz, pelo menos nos locais públicos – coibindo o consumo que afeta àqueles que não fumam -, apontam também como medida preventiva, uma vez que colocam a discussão sobre o consumo em evidência e induzem à reflexão sobre o ato de fumar. Colaboram, assim, para afastar a tendência de expansão do consumo que, se mantida, se estima poder ser a causadora de 10 milhões de mortes anuais a partir de 2030, metade delas em adultos jovens.

Já é possível identificarmos quem procura deixar o vício em decorrência das restrições impostas pela nova lei, o que em parte pode explicar o aumento da procura nos serviços públicos. Devemos reverenciar estes esforços, que são muito felizes e resolutivos, pois sabemos que é baixo o índice de fumantes que conseguem largar o cigarro sem ajuda de especialistas.

O trabalho desenvolvido pelos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e outras Drogas (Caps-AD) representa uma importante evolução no atendimento ao fumante. O sucesso que os Caps-AD obtêm diante do tabagismo justifica seu prestígio na comunidade. Mas é preciso ampliar, e com urgência, a capacidade de atender o batalhão de fumantes que, enfim, tomaram a decisão de abandonar o tabaco.
Fonte:Jornal da Tarde/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)